Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

03
Fev 07
Chego a casa e atiro com a mala, o saco da farda do trabalho, o casaco e o cachecol (que o frio já não nos deixa andar sem eles) para cima do sofá. Depois de um dia inteiro a lidar com todo o tipo de pessoas, bem dispostas e mal dispostas, o meu cérebro já custa a mandar o meu corpo fazer o que quer que seja.
A minha mãe aquece o jantar e, sem pinga de fome, como. Só para não ter que ouvir o vulgar “Susana, se não comes o teu sangue fica fraco! Olha o sangue!”. De onde veio esta obsessão pelo sangue? Não sei.
O meu braço direito, após tanto carregar pacotes de cerveja e de leite, já se queixa só de levantar a colher da sopa. Mas que remédio tem ele. Se não a levantar, sabe que no futuro também ele vai sofrer... Pois as células vermelhas “andem” aí.
Fecho os olhos e tudo o que vejo são luzinhas. Depois, claro, oiço o apito que a máquina reproduz quando se passa um código de barras, oiço vozes a dizer que falta um cêntimo no troco ou que o preço das bananas não está a passar certo. Tudo na minha cabeça passou agora a códigos. A couve-flor não é couve-flor. É o 2020. As clementinas não são clementinas. São o 2001. As carcaças não são carcaças. São o 5600308520047. Os lacticínios também já não são lacticínios. São o 5609800100108. Se sei agora umas dezenas destes códigos de cor? Sei, sim senhor. Se já sei distinguir os grelos de couve dos grelos de nabo? Não. (No entanto já sei distinguir a nabiça dos espinafres, o que me leva a crer que nem tudo está perdido).
Estou cansada e tenho sono. Mas não consigo dormir.
Então vim e escrevi.
Amanhã estou de folga. Mas saber que no Domingo trabalho até quase às dez da noite... Ainda para mais sabendo que recebi o fantástico salário de 210€ por um mês de trabalho, a perspectiva de mais um mês pela frente não podia ser mais feliz. Com direito a ironia e tudo.
publicado por Nana às 00:16

comentário:
Olá, tu provavelmente não me conheces mas esbarrei no teu blog por acaso (saiu-me em «frango vaidoso»:-) ) e li umas coisas, não muito, mas deu-me a sensação que andas a repetir o meu percurso de vida e resolvi intervir.
Não preciso de te dizer que foste muito tonta em não ter ido para a faculdade porque a caixa do Intermarché de certeza que já te ensinou isso. Também passei por lá no ano em que fiz a mesma burrada que tu e vivi o ano mais frustrante da minha vida. Voltei a concorrer e entrei outra vez para o que não queria. Achei que não podia ser pior que o Intermarché e fui. Um ano depois tive oportunidade de mudar para o curso dos meus sonhos e não mudei. Sabes porquê? Porque descobri que andava a sonhar tudo mal :-)
Licenciei-me e fiz o mestrado naquilo que gosto e que descobri ser a minha vocação. E aprendi que o importante da universidade não é o curso mas o estar lá. Viver aquele ambiente, sofrer aquelas tormentas e sobreviver. Quando terminas um curso sentes-te capaz de conseguir qualquer coisa na vida e essa sensação, ainda que não se reflicta num emprego, vale bem o esforço. Não queiras viver sem essa sensação. Um abraço desta nova amiga.
Xana a 24 de Fevereiro de 2007 às 19:41

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