Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

08
Jun 06
Nunca pensei que me colocassem nesta posição. Juntei-me à Juventude hitleriana há algum tempo e, nessa altura, tudo fazia sentido. Agora? Agora tenho dúvidas. Dúvidas acerca do que é certo ou errado. Acerca do rumo da minha vida. Neste momento estou encarregue de assentar os nomes dos judeus que por nós passam. Abraham Aharon. Benesh Efraim. Vão de A a Z. São centenas. Milhares. Alguns ainda me sorriem. Outros olham-me com desprezo. Outros, e são esses os que mais me fazem sentir que estou errado, olham para mim com olhos tristes, olhos transparentes, através dos quais quase lhes vejo a alma. Se ao menos também eles pudessem ver a minha. Se pudessem ver o dia em que tentei libertar-me de tudo isto e ameaçaram matar as minhas filhas se o fizesse. Mas não. Tudo o que vêem é um porco de um alemão. Nada mais que isso.

Ontem a minha mais nova perguntou-me o que faço durante o dia. “Trabalho para que quando cresças possas viver num país melhor”, respondi. Mas nem eu acredito nisso. E proíbem-me sequer de pensar em tal coisa. Olho e vejo o sofrimento na cara de cada judeu.

Ali ao fundo, está a haver confusão. Vou ver o que se passa. Um casal de jovens namorados, talvez sejam casados há pouco tempo. Estão agarrados um ao outro e recusam-se a entrar em vagões diferentes. Vejo que ambos choram. Vejo os meus colegas a separá-los à força. Desejo não estar aqui. Desejo não ver tudo isto, desejo não participar. Separam-nos. Viro as costas e tento abstrair-me dos gritos, da dor. Sinto não só os olhos inundados, mas também a alma. Oiço os gritos, sinto o esforço dos meus colegas a agarrar cada um dos enamorados. Dói-me. Tenho vontade de gritar. Gritar bem alto que não é justo! Que são pessoas, não animais. Que nunca nos fizeram nada de mal. Ou fizeram?

Sinto a cabeça a latejar. Tento afastar-me, mas as minhas pernas não se movem. Ponho as mãos na cabeça e tento que a dor passe. Mas não passa. Sinto-me desesperado. Quero sair daqui!! Não quero ouvir mais gritos à minha volta. Passei o dia a ver mães a ser separadas de filhos, maridos de mulheres, irmãos de irmãs. Penso na minha mãe, na minha mulher, nos meus irmãos, nas minhas filhas. Oiço um tiro. Viro-me e receio a visão que terei. Eu sabia. Sabia que isto ia acontecer. “Se eles derem problemas, matem-nos”. Foi o que nos disseram. Olho e vejo o rapaz, que há pouco lutava pelo direito de dar à sua amada um último beijo de despedida, deitado no chão. O sangue que sai do seu peito mistura-se com as lágrimas da mulher. Agora, morto, pode receber o último beijo. Tento não pensar nas fantasias, nos planos, nos momentos felizes que terão passado juntos. Viro-me novamente e dirijo-me à mesa instalada perto dos vagões.

Sento-me e pergunto o nome da velhinha que está à minha frente. Deve ter uns 80 anos. Lembra-me a minha avó. Com um casaco castanho e uma estrela de David no braço, olha-me com olhos esperançados. “Miller”, responde-me. “Ruth Miller. Há alguma maneira de sair daqui?”. “Há”, respondo, “entre para o vagão e não se preocupe”. Olha para o vagão e, com uns olhos cansados, responde “Obrigada”... E dirige-se para o vagão.


Desculpem-me, esta foi uma tentativa minha de tentar pensar nas coisas vistas de uma outra perspectiva.
publicado por Nana às 20:15

comentários:
Oi morzinha..akilo k sinto dentro de mim depois de ler as coisas k xcreves é tao intenso k simplesmente não o sei pôr por palavras..Posso te dizer que nunca, mas nunca mesmo, deverás pedir desculpa por escrever aquilo k sentes! Acredita k, mais dok o privilégio, tens o dom. Adoro-te linda, és pra mim mais dok alguma vez pude imaginar! E vale a pena cá estar pra poder ver o teu sorriso e ouvir os teus pensamentos, pra poder lidar ctg, com a tua maneira de ser e com a tua capacidade de pensares sempre e em qualquer situação nos outros!.. se neste mundo houvesse umas kuantas susanas e outras tantas terras, a humanidade era bem mais digna de ser akilo pelo que é designada (citando um dos comentários abaixo). Brigada por tudo linda, brigada por seres como és e por tentares melhorar akilo k existe a tua volta!
Um beijo gigante
filipa a 14 de Junho de 2006 às 23:31

Bgda pla tua visita nina, bgda memo. Olha kuanto à tua prgnta sobre estar mal o teu url no GUESTMAP eu ñ te sei dzr como resolvers :( mas eu fui ao coisasparablogs.blogs.sapo.pt foi la k eu vi o teu url, ou entras no blog coisasparablogs ou se entrares no meu eu tnh 1 botão logo abaixo do numero de visitantes xamado coisas para blogs (e k é o mesmo) e clicas aí e entras directamente no blog. De uma forma ou de outra kando tu entrares no coisasparablogs tns do teu lado esquerdo (tns k fzr scroll c o rato) e tmbm a seguir ao numero de visitantes um botão k diz "é de onde? clica aqui" tu clicas aí e entras então no Bravenet Guestmap e vais ao list, é la k ta o teu perfil e ond ta o teu url, vês logo k falta la o "g" no blogs.sapo. Como é k alteras isso eu já ñ t sei dzr :( Agora só mais uma coisa, como é k meteste no teu blog akeles media players (ñ sei como s xamam) k da pa ver video e ouvir musica? Pods indicar-me como é k eu posso fzr pa meter no meu blog? Olha, tmbm ja pods ir ao meu blog ver as minhas fotos (é só klikars numa k entras nos meus albuns) pk já consgui k elas aparecessem la outra vz, ñ sei pk razão é k elas tinham desaparecido lá no blog. Fika bem nina, eu entretanto já vou ter tmp pa actualizar o blog pk já tou kuase a akabar a eskola :)diz aos teus amigos para me visitarem e deixarem ideias ;) por akaso sbs dzr-me kem é k é o/a Sol k deixou comentario no meu blog? Jinhos pa ti****** e bgda pla tua visita.
vitor a 9 de Junho de 2006 às 21:18

oies*...bem gostei mto do textinho mas não o vou comentar não tou inspiração comentativa..lol..só queria dixer uma coisitah que ficou-me a incomodar o dia todo..lol...kd foste á xcolinha hj eu keria ter-te dado um abraçinho e ver como é k estavas...mas tinha montes de cenas nos braços que tinha de ir levar ao carro...e dps kd voltei estavas a conversar com a stôra de mat..e eu n kis interromper...desculpa...=)
Hoje vi realmente a dimensão do teu medo...foi de facto uma atitude mesmo muito corajosa a de terres ido á xcola....jokinhas**** e não liges a comentários estupidos que poderás ter ouvido.
C.M.
Ktia a 9 de Junho de 2006 às 21:02

n poxo deixr de dixer k este textó alem de triste retrata uma epoka n so triste mas tb miseravel da historia da humanidd ... sinto nojo dexes nazis!
o k talx exe "soldado" tenha pensd ou imagind enquanto via o sofrimento k os outrs paxam, n mata nem apaga o sofrimento e a perda de varias familias ...
pexoas como tds nos eram humanos tinham a sua vida mas eram judaicas kal era o problema ..uma raca diferente? medo? ... aí esta um grd mal da humanidd k aind hj em dia nos deparamos ..ver kem tem poder, dinheiro ou talx um pco mais de prestigio , paxar por xima de td e tds .. n interessa se destroem familias , relacionaments , amizads , unioes ...ND ..apenas os objectivs deles teem de ser alcanxados , nem k pra ixo tantos outrs tenham de deixar de existir! realmente mais 1000 , menos 1000 por dia de k vale? nascem mais ... é triste ver k aind hj ah kem lute com povs e pexoas tao indefesas , k nem um terxo de armas ,de fogo iu nucleares possuem .. tams e tarems numa guerra pelo poder e aí ta td dituh ...
e exa prespectiva desc mas cmpreendo mas n perdoo!
se tds se juntassem td tinha acabd mt mais cedo ...sem menos dor , sangue e lagrimas ...

bjinh miga
ZEZA a 8 de Junho de 2006 às 22:05

Oi!Bem...texto forte este!Fez-me escapar uma lágrima!Como sempre...a época do holocausto mexe muito comigo!Tenho a certeza que existiam alemães que não gostavam de estar ali,de fazer o que faziam,que eram ameaçados,eles e as suas famílias e por isso também eles eram prisioneiros!No filme "O Pianista",existe uma cena em que um alemão o ajuda...e isso fez-me pensar no outro lado.Naqueles que não tinham escolha!
Mas também acredito que muitos deles seguiam Hitler de livre vontade e que eram adeptos das filosofias dele!
Custa-me tanto ver as imagens das pessoas a serem separadas e mortas apenas porque não se queriam afastar da família...dos tiroteios em que várias pessoas morriam em fila,como animais...da perda da dignidade e identidade de toda aquela gente que nunca fez mal a ninguém...É a época que mais me revolta!E a que mais me inspira,devido à Anne Frank e ao seu sentido de liberdade!
Adorei o post...mesmo!É óptimo ver que somos capazes também de olhar para a outra perspectiva da história!
Beijinhos!
sis a 8 de Junho de 2006 às 21:55

Não importa é a tua perspectiva. Gostei do que li.
Mestrinho a 8 de Junho de 2006 às 21:52

Ola, vim dar uma espreitadela e gostei do k vi no teu blog, temos k deixar koisas no ar para as pssoas pnsarm, fzr com k a humanidade seja digna de assim ser chamada. Olha tambem aproveito para te dzr k o teu url no GUESTMAP ñ está korrectamente escrito tns lá escrito www.terrinha.blos.sapo.pt ñ é? falta o g no blos, dsclpa eu tar a dizer-te mas ñ é para criticar, é k eu tive dificuldade em encontrar o teu blog e dpos reparei k faltava o "g" e como eu deve haver várias pessoas a ñ cnsguir entrar por kausa disso, dsclpa. Olha aproveito tmb +para t pedir para dares uma olhada no meu blog e dizeres-me kalker koisa, pod ser? Gostava mt, pois eu preciso de ideias, opiniões, kriticas, etc... deixa lá o teu comentario, akilo inda está em experimentação ;p por isso eu preciso de ideias para melhorar, mas identifica-te para eu saber k és tu :) Fika bem, jinhos
vitor a 8 de Junho de 2006 às 21:39

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