Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

21
Out 05

Não sei porque não me apeteceu levantar-me hoje de manhã. Não sei porque é que como todos os dias o mesmo pequeno almoço e não enjoo. Não sei porque é que vejo as capas dos jornais, visto que não há novidades do caso “Cristiano Ronaldo”. Não sei porque é que quando está nublado, me custa mais sair de casa.

Não sei porque é que só me sinto bem depois de me espreguiçar. Não sei porque é que decido que roupa vou vestir na noite anterior, visto que no dia a seguir nunca está o tempo adequado a essa roupa. Não sei onde anda o papel onde tinha apontado as datas dos testes. Não sei porque é que ainda não colei o meu poster novo do Ronaldo na parede. Não sei porque é que dizem que andar faz bem, se eu ando todos os dias para a escola e não noto diferença nenhuma.

Não sei porque é que tenho que dar dois beijinhos a pessoas a quem nunca falo durante o resto do dia. Não sei onde é a sala 43. Não sei porque é que a minha avó grava todos os dias o programa do Goucha, sendo que depois nunca vê aquilo outra vez. Não sei porque é que a minha mãe se esforça tanto para deixar crescer as unhas, para depois voltar a roê-las. Não sei porque é que há gente com falta de amor próprio. Não sei porque é que há gente com excesso de amor próprio.

Não sei porque é que gosto tanto de música espanhola. Não sei em que dia do próximo mês faz anos o meu tio. Não sei porque é que há professores que não sabem ensinar. Não sei porque é que há alunos que não querem aprender. Não sei se o facto de gostar de homens de olhos verdes se deve ao facto de o meu pai ter olhos verdes (segundo Freud!). Não sei porque é que gosto tanto do Natal. Não sei porque é que de vez em quando me apetece ser abraçada. Não sei porque é que às vezes me apetece estar sozinha. Não sei porque é que não gosto de andar sozinha na rua.

Não sei o ponto de fusão do queijo que estou a comer agora. Não sei de que são feitas as bolachas que comi ao lanche. Não sei porque é que a minha avó insiste em dizer “o teu namorado”, quando se refere ao Cristiano Ronaldo. Não sei onde pus o meu pente prateado, que foi oferta do amaciador. Não sei quantas vezes o meu pai tentou parar de fumar. Não sei quando vou voltar a ter um ataque de pânico.

Não sei quando vou ver algum dos meus irmãos. Não sei como estão os meus sobrinhos. Não sei nadar. Não sei marcar golos sem estar fora de jogo. Não sei porque é que o Beckham é tão giro. Não sei o que vai ser de mim sem as pessoas da minha turma. Não sei se o novo livro do Dan Brown é a continuação da triologia. Não sei como se diz ombro em espanhol. Não sei explicar a palavra “saudade”.

Não sei porque é que não consigo deixar de sorrir quando vejo que está um belo dia de sol. Não sei como é que a minha avó faz aquelas malhas todas malucas. Não sei o mail do Cristiano Ronaldo. Não sei como é que a expressão “não me abraça a natureza desse bolo” pode significar “não gosto desse bolo”. Não sei o que é que me deu para escrever este texto. Não sei se vão gostar dele. Não sei sequer se alguém vai lê-lo. Não sei nada de matemática. Nem de química. Nem de disciplina nenhuma.

 

Tens razão, Filipa. No fundo, só sei que nada sei.

publicado por Nana às 22:27

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