Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

26
Out 05

Hoje tive vergonha. Estava a passar na rua, e vi uma cena que me deixou mesmo sem palavras... Revoltada, mesmo!

Eram três miúdos, todos por volta dos seus 6 anos... Um deles estava a comer batatas fritas e os outros dois pediram-lhe uma. Ele respondeu “Olha ti dou-te. Tira. A ti não te dou, porque és preto.”.

E disse-o com a maior das simplicidades. Com a simplicidade típica de uma criança que não sabe o que está a dizer. O miúdo foi-se embora, a chorar. Que culpa tem este miúdo da sociedade em que vive? Pois, nenhuma.

Eu sei que sou branca. Mas é nestas alturas que gostava de não o ser. Porque tenho vergonha. Vergonha deste preconceito nojento que é o racismo. Vergonha de, ao ser branca e portuguesa, saber que descendo, inevitavelmente, dos maiores traficantes de escravos, que eram os portugueses há alguns séculos atrás. Vergonha de não poder dizer ao mundo o quanto isto me revolta. Vergonha.

E pergunto-me a mim própria, e só a mim, porque sei que ninguém tem a resposta para esta pergunta: Porquê? O Homem já foi à Lua, já clonou animais, descobriu o código genético do ser humano... Mas, com tanta tecnologia, com tanto desenvolvimento, acabou por se esquecer do verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento interior.

Porque o Homem diz que é racional. “O único animal inteligente”, dizem eles. E o que é que nos destingue dos outros animais? “As acções”, dizem eles. “Algumas espécies de aranhas atraem o macho e, após o acto sexual, matam-no e comem-no”, dizem eles, com o intuito de fazer parecer que o ser humano é melhor, porque nunca o faria. Pois eu digo que há seres humanos que violam até crianças, e depois, se estas resistem, matam-nas. Isto é que é ser superior? Não me parece.

“Os leões não fazem nada, sendo que são as fémeas que caçam para eles poderem comer”. Pois eu digo que ainda hoje, em pleno século XXI, existe o trabalho escravo. Os leões partilham a caça com as fémeas. Os “donos” da mão-de-obra escrava... Não me parece que dividam grande coisas com os trabalhadores. “Muitos animais (machos) lutam para poderem ficar com a fémea”.

E quantos seres humanos se matam uns aos outros, apenas porque o/a seu/sua companheiro/a olhou para outra pessoa? E podia ficar aqui mais uma data de tempo a dar este tipo de exemplos, mas não tenho paciência. Porque não me agrada falar nisto. Só quero saber porque é que, se somos assim tão inteligentes e tão superiores, somos a única espécie que está a pôr o mundo em perigo. Não são apenas duas ou três espécies que estão em vias de extinção. São todas. É o mundo. Somos nós. São eles. Somos todos. Tudo por causa da nossa “inteligência”.

Se somos assim tão inteligentes, como é possível que ainda ensinem às crianças que, por ter um tom diferente de pele, uma pessoa é pior que as outras? Não percebo!!!! E nunca vou perceber. Recuso-me. E se é preciso isso para ser inteligente... Lamento... Mas tenho muito gosto em ser ignorante.

E se algum “inteligente” vier para perto de mim, tenha paciência. Mas não aceito. Não aceito esse tipo de preconceito. Não aceito que alguém seja julgado pela sua cor de pele.

 

Quando eu era miúda, devia ter os meus 6/7 anos, escrevi algo que ainda hoje tenho guardado: “Os meninos são todos iguais. Por fora podem ser brancos, pretos, amarelos e vermelhos. Mas por dentro são só meninos. Todos com as mesmas cores: as do arco-íris”.

Acho que estas palavras que me saíram naquela altura, dizem mais do que todo o resto deste texto.

 

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publicado por Nana às 18:25

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