Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

30
Nov 05

Hoje resolvi contar um sonho que tive aqui há uns 2 ou 3 meses atrás. Resolvi contá-lo, não porque significou muito para mim, afinal, ainda não consegui entender o que significa, mas porque ainda me lembro dele com muito pormenor...

Antes de mais devo dizer que foi um sonho grande e, como ainda cheguei a contá-lo algumas vezes, ainda me lembro de vários pormenores.

Então aqui vai:

 

Ao que parece, eu pertencia a uma raça bastante marginalizada pelo resto da população. Eu (e os meus) tínhamos que andar sempre com uma espécie de plaquinha de metal, pendurada ao pescoço, com a nossa identificação.

Ao sairmos à rua tínhamos que usar roupas velhas e, caso nos apanhassem, punham-nos numas casas, cujo efeito faz lembrar as câmaras de gás utilizadas pelos nazis, durante a 2ª guerra mundial. A diferença é que, nestas casas, o ácido com que nos matavam era tão forte que o nosso corpo desaparecia, sendo que a única coisa que restava de cada pessoa era a plaquinha que trazíamos ao pescoço.

Cada plaquinha tinha, para além da nossa identificação, uma espécie de escala, que ia desde o amarelo ao vermelho. Essa escala só se apresentava depois de morrermos: se ficasse amarela, significava que a nossa morte não tinha sido sofrida, ou seja, que tinha sido uma morte pacífica. No entanto, se ficasse vermelha, significava que tínhamos sofrido muito ao morrer. No fundo, era uma escala do sofrimento da pessoa à hora da morte.

Bom, eu estava em casa com uma miúda que conheço, que tem uns 13 anos, e perguntei-lhe se ela não ia para a escola, ao que ela me respondeu que não, porque tinha medo. Então eu ofereci-me para a levar lá. Vestimos as tais roupas velhas e saímos.

A meio do caminho demos de caras com um grupo de rapazes/homens (que, ao que parece, também eram da tal raça procurada), que nos assaltou. Então um deu a ideia de me violarem. Não sei porquê, mas era só a mim, e não à miúda (eu sei que esta frase demonstra um pouco de egoísmo da minha parte, para fazerem mal às duas mais valia que fizessem mal só a uma, não é??)!! Então lá o "chefe" deles (ou deverei dizer o "boss"??) disse que quem ia fazer tal coisa era ele, e puxou-me para uma esquina, onde os outros não nos podiam ver e sentou-se no chão, muito calmo.

Eu estava cheia de medo, e fiquei a olhar para ele, feita parva, à espera que ele fizesse algo (nem me deu para fugir, nem nada!! Duh!). Uns minutos depois de termos ficado ali os dois a olhar um para o outro, ele tirou uma faca do bolso, levantou a manga da camisola que tinha vestida e cortou-se. Fez um golpe enorme e salpicou as minhas calças. "Isto é uma coisa que vai ficar só entre nós", disse ele, e levou-me para perto do resto do grupo. Eles pensaram que ele realmente o tinha feito e riram, falaram... E deixaram-nos ir embora.

Eu não contei nada à miúda, mas fiquei com um carinho enorme por ele, uma admiração por uma atitude tão nobre da parte dele! Quando chegámos a casa, a miúda, muito assustada, contou ao meu irmão (que, no sonho, era alguém que eu não conheço, mas era de raça negra, tal como o outro rapaz) que o outro me tinha feito mal.

Então o meu irmão, em vez de se esconder, porque andavam tropas na rua a procurar pessoas da nossa "raça", saiu, todo estressado, à procura do tal rapaz, pensando que ele me tinha feito mal. Eu tentei persuadi-lo a ficar em casa, porque, no fundo, fiquei a gostar muito do outro rapaz, mas nada feito. Eu e a miúda ficámos em casa, escondidas.

Um tempo depois, deixámos de ouvir as tropas. Saímos e dirigimo-nos à tal casa (a que parecia as câmaras de gás), porque soubemos que o tal rapaz tinha sido levado para lá e, ao que parece, o meu irmão tinha ido para lá procurá-lo. Ao chegar lá, a casa estava vazia. Tudo o que havia eram milhares de plaquinhas no chão. Lembro-me de começar a procurar, desesperadamente, duas plaquinhas.

E encontrei. A do meu irmão e a do rapaz. Estavam juntas. E, ao olhar para a escala, ambas estavam no vermelho: ambos tinham tido uma morte longa e dolorosa.

Comecei a chorar. Muito. Até que acordei. Acordei cheia de lágrimas e com um sentimento de perda como nunca tinha sentido antes...

Estranho...

publicado por Nana às 19:54

27
Nov 05

Olá a todos...

Desculpem se ultimamente não tenho aparecido muito por cá... A escola anda a tomar quase todo o meu tempo... E também, para ser sincera, ultimamente não tenho andado muito inspirada para escrever... Ou mesmo para fazer o que quer que seja.

Então hoje resolvi deixar-vos aqui um texto escrito por uma das pessoas que mais me faz rir: o brasileiro Miguel Falabella. Para além de ser um grande actor (penso que todos nos lembramos de "Caco", na série "Sai de Baixo", é um GRANDE escritor...

Ele escreveu um texto sobre a saudade... E acho que conseguiu retratá-la como poucos conseguiram até hoje.

Eu, felizmente, tenho muitas amigas hispânicas e, sempre que me perguntam o que significa a palavra saudade... Faltam-me sempre palavras para descrever. Li há pouco tempo um artigo que dizia que a palavra "saudade" é considerada, por uma convenção de linguistas de todo o mundo, a 10ª palavra mais difícil de explicar.

Deixo-vos agora o texto, espero que gostem dele tanto quanto eu...

 

Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para termos tanta saudade...

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra
uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada,
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na internet e encontrar a página do Diário Oficial,
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
se ele continua preferindo Malzebier,
se ela continua preferindo suco,
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados,
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor,
se ele continua cantando tão bem,
se ela continua detestando MC Donald´s,
se ele continua amando,
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,
provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

 miguel.jpg

(P.S.: Adicionei aí ao lado uns videozinhos giros... Se quiserem vê-los, parem a musica de fundo, para não ser demasiada confusao... e depois é so carregar no "play"... o primeiro é o clip de uma musica que eu gosto muito... o segundo.... é de alguém que não podia faltar num blog meu...lol... espero que gostem!... ah mas antes de os verem têm que esperar que carreguem... ou seja voces carregam no play e vão aparecer duas barrinhas, em baixo: uma cinzenta clara e uma cinzenta escura... só quando a cinzenta clara tiver terminado o sei "percurso" é que o video está pronto a ser visto...)

publicado por Nana às 19:59

22
Nov 05

Apesar de, nestes últimos dias, não ter andado muito feliz, ando com uma fascinante vontade de voltar a sair à noite. Sair e dançar, dançar até nem sentir as pernas. Divertir-me, gritar, soltar-me.

No entanto, sempre que me convidam para sair, recuso. Porque tenho medo. Custa-me confessá-lo, mas é verdade.

Desde que soube que tenho ataques de pânico, nunca mais saí à noite. A não ser para ir a um café ou algo do género. Mas sair para dançar mesmo, nada. Na última vez que saí, tive um ataque de pânico tão forte que tive que ir embora mais cedo. Quem viu, deve lembrar-se de como eu tremia. Desde esse dia, nunca mais. Por vezes não posso mesmo. Outras vezes dou desculpas. Culpabilizo-me por isso todos os dias. Mas também tenho consciência de que a culpa não é minha.

Não pode ser culpa minha o facto de eu ter medo de sair para me divertir. Não pode ser culpa minha o facto de eu ter medo de estragar a noite ao resto das pessoas. Isto porque sei que, felizmente, tenho amigos excelentes. Sei que, se me vissem aflita, saíam comigo na mesma hora, pelo que também não aproveitariam nada. Não quero isso. Quero sair, quero divertir-me sem esse tipo de preocupações que tenho desde que soube o que é isto de "ataques de pânico"...

Por uma vez na vida, queria voltar a ter um dia... Um dia normal, sem medo... Porque eu hoje sei que posso controlar os ataques... Felizmente já tenho esse poder sobre mim mesma...

Mas, ao acordar, não há dia em que não pense se irei ter um ataque de pânico... Não há um único dia em que não tenha medo... Um dia sem medos! Antes, não lhes dava valor... Hoje só pedia um dia... Era só isto que eu pedia... Por vezes pergunto-me se mais alguém saberá o que é passar os dias com medo, assustada com o que o seu inconsciente estará a tramar...

Espero que não.

publicado por Nana às 19:07

21
Nov 05

Estou triste, estou chateada e, acima de tudo, estou desanimada.

Às vezes também tenho as minhas dúvidas... Não ponho em causa o sonho de conseguir, porque esse jamais estará em dúvida... O que me pergunto é se terei realmente capacidades para o atingir. Se calhar não... Mas se não tenho capacidades, de que me vale esforçar-me tanto?

De que me vale chatear-me, entristecer-me e, acima de tudo, culpar-me?? Se não tenho capacidades, não tenho!! Pronto!! Mas será viável desistir do meu sonho agora, depois de tudo?

Não... Não posso... Não quero... Hei-de tentar... Sempre e cada vez mais... A sério que estou triste. Como é que posso animar-me, se a cada dia que passa vejo o meu objectivo mais longe?? Cada vez acredito menos em mim...

 

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publicado por Nana às 18:11

20
Nov 05

É impressionante como o meu fascínio pela língua inglesa cresce a cada dia que passa. Quero mais, muito mais!

Cada vez me custa mais o facto de este ano não ter essa disciplina. Tento ver os filmes sem olhar para as legendas, entender músicas sem ter que procurar as letras. Cada vez que descubro uma nova expressão, fico com um sentimento muito parecido à euforia.

Bem sei que o meu conhecimento sobre esta vasta língua é quase nulo. Irrisório, até. Dou muitíssimos erros a escrever. Sobre o meu inglês falado nem comento. Mas gosto. Gosto muito.

E anseio por saber mais e mais. Tal como gostava muito de aprender melhor o francês, o italiano, o espanhol. Todas as línguas e mais alguma. Gostava mesmo de ser uma poliglota. E aperfeiçoar o meu português.

Mas, sei lá, acho que nunca vou ter tempo para tudo isso. Porque, entretanto, tenho que estudar química, matemática, biologia. Vim para um agrupamento onde não se liga muito às línguas.

Fui eu que escolhi, é um facto. Não me arrependo, mas tenho pena. Porque já Camões dizia que o povo português liga tanto ao bem estar material (e, digo eu, às ciências exactas), que acabamos por nos esquecer até do valor cultural da nossa língua-mãe.

Afinal, segundo esse poeta, só dá valor à poesia quem realmente a entende...

publicado por Nana às 20:35

18
Nov 05

Recebi este mail e não pude deixar de o publicar aqui, mais que não seja pelas gargalhadas que dei ontem à noite quando o li...


 


FORMAS DE PASSAR O TEMPO NUM HIPERMERCADO 


1. Agarra em 24 caixas de preservativos e põe em vários carrinhos, aleatoriamente, quando a pessoa estiver distraída. 


2.Programa os despertadores para tocarem de 5 em 5 minutos. 


3.Vai ao apoio a clientes e pergunta se te podem reservar um pacote de M&Ms. 


4.Monta uma tenda na secção de campismo, diz aos outros clientes que vais passar a noite por lá. Convence as pessoas a trazerem almofadas  da secção têxtil e a juntarem-se a ti. 


5.Quando um funcionário te perguntar se precisas de ajuda,começa a chorar e grita: "Porque é que vocês não me deixam em paz?!?!!?!?" 


6.Encontra uma câmara de vigilância e usa-a como espelho enquanto tiras macacos do nariz. 


7.Procura uma faca de trinchar bem afiada. Leva-a contigo durante todo o percurso das compras e vai perguntando aos funcionários se ali  vendem anti-depressivos.


8.Desliza pela loja com um ar suspeito, enquanto cantas o tema  da "Missão Impossível" . 


9.Esconde-te atrás da roupa que está exposta em cabides e quando alguém estiver a ver os artigos grita "ESCOLHE-ME! LEVA-ME PARA CASA!" 


10.Quando alguém anunciar seja o que for no altifalante, deita-te no chão, em posição fetal, e grita: "NÃÃÃO! As vozes!Outra vez as vozes!" 



Devo confessar que gostei particularmente das últimas 3... Talvez, na próxima vez que for ao Jumbo... Hm....
publicado por Nana às 14:27

14
Nov 05

Pois é... Chegou o frio... Chegou aquele tempo em que ninguém quer sair de casa... Começa o sacrifício de despir o pijama...

Quem me conhece, sabe que eu não gosto de frio. Nunca gostei, sempre me dei muito melhor com o calor. Ainda assim, o Natal é, sem dúvida, a minha época preferida do ano. É uma época que, não sei porquê, me transmite uma calma dificilmente equiparáveis a qualquer outra época. Adoro ir à baixa e ver as ruas enfeitadas. Andar nas ruas e ouvir, ainda que vagamente, uma música de Natal.

Parece que as pessoas ficam mais amigáveis, mais sorridentes. No entanto, não consigo deixar de pensar nas pessoas que não têm Natal. Nas pessoas que nem sequer têm casa ou agasalho, para poder enganar este frio, que tão dificilmente se deixa enganar. Nos idosos que passam esta época, supostamente familiar, sozinhos.

 

Lembro-me que um dia, quando tinha uns 6 anos, fui com a minha turma a um lar de idosos, por volta desta época natalina. Todos desenhámos algo e, com alguma dificuldade, cada um escolheu um velhinho a quem dar. Eu até me lembro do meu desenho, um anjinho. Eu fui das últimas pessoas a encontrar uma pessoa a quem dar o meu anjinho.

Por fim, olhei para um cantinho da sala. Não tenho a certeza, mas penso que estava lá uma lareira. E, perto dessa mesma lareira, estava uma velhinha de xaile sobre as pernas.

Lembro-me de achar que ela estava muito séria. Hoje, quando penso nisso, acredito que estivesse a pensar na sua família que, pelos vistos, até o Natal a deixaram passar sozinha.

Fui em direcção a ela, devagarinho. Lembro-me de ter medo que ela se chateasse comigo, por ir falar com ela, quando ela estava ali tão sossegadinha. Mas ainda assim fui. Toquei-lhe levemente no braço e tive a sensação de a ter acordado. Ela estava com olhos abertos, mas penso que a terei despertado de um sonho.

Ela olhou pra mim e esboçou um sorriso. Ainda me lembro do seu sorriso, por incrível que pareça (memória prodígio). Quando lhe estendi o anjinho, os seus olhos encheram-se de lágrimas. Ela apertou o meu anjinho e abraçou-me, num dos abraços mais sinceros que já senti em toda a minha vida. Chorou, chorou muito.

Lembro-me de ter ficado, por um lado, com pena, porque não queria que chorasse. Por outro lado, com o meu egoísmo de criança, fiquei um pouco chateada por ela ter apertado o anjinho, porque acabou por amachucá-lo.

Ainda hoje sinto um nó na garganta quando falo nisso. Sinto um nó na garganta porque vejo o significado que aquele anjinho, aparentemente tão sem significado, teve para aquela senhora. Terá sido, possivelmente, o seu único presente de Natal, não sei. Sei que acabei por retribuir o abraço e, antes de irmos embora, ainda lhe fui dar um beijinho.

Por mim, tinha lá ficado o resto do dia. Com aquela senhora. Não sei o que é que ela terá sofrido até aquele dia, nem tão pouco o que sofreu depois. Infelizmente, não acredito muito que ainda esteja viva. Só me resta esperar que aquele anjinho a tenha acompanhado para sempre. Porque acho que ninguém merece ser assim abandonado. Não só nesta época natalícia, mas sempre, não há direito de as abandonar assim...

Penso que é por isso que esta época me deixa nostálgica... Por um lado acho lindo, saber que muitas crianças (e adultos) estão ansiosas pela noite de Natal, para receber as prendas...

Por outro, nunca me vou esquecer daquela velhinha, que tanto chorou agarrada ao meu anjinho e a uma menina de 6 anos que, na altura, nem sabia o bem que poderá ter feito àquela senhora.

publicado por Nana às 16:25

11
Nov 05

Os adultos. Pessoas difíceis. "Tu já és uma adulta, tens que saber o que fazes", diz a minha mãe.

Não sou. Não quero ser. Para já, recuso-me a ser considerada adulta antes do tempo, visto que, perante a lei, só vou ser adulta daqui a 8 meses. Antes que algum adulto se ofenda, eu gostava de esclarecer o que é, para mim, um adulto.

Adultos são aquelas pessoas cinzentas. Trabalham, pagam as contas. Podem ser exemplares ou não. Mas são vazias. Vazias de alegria, vazias de vontade de mudar. Resignam-se com um destino comprado, dialogado e manipulado por outras pessoas, de modo a atingir uma tal comodidade que só dessa forma se pode obter. Vidas sedentárias, sem tempo para apreciar aquelas pequenas coisas que dão um sentido colorido à vida.

Adultos. Sempre com pressa, stressados, sempre atrás de um tempo que, embora não se apercebam, já passou. Sempre em busca de um ideal, esquecido por eles próprios. Pessoas a quem a vida persegue, cheia de contas para pagar e cada vez com menos dinheiro para poder fazê-lo. Pessoas preocupadas. Sempre.

Que acabam por esquecer como era bom ser jovem. Como era bom andar de braço dado com um amigo, sem a preocupação da opinião das outras pessoas sobre as costas. Como era bom ter amigos verdadeiros. Sem mentiras, sem intrigas. Assim são os adultos.

Porque são pessoas com responsabilidades. Porque são pessoas que têm que ganhar o pão que comem e, de tanto pensar nisso, acabam por esquecer todo o resto. Acabam por se esquecer de sorrir. A alguém na rua. Ao ver alguma coisa bonita. Sorrir apenas.

Tenho medo de me tornar nesse tipo de pessoa. Porque não quero esquecer-me. Dos amigos, de sorrir, de como é bom a sensação de protecção que temos, ao pensar que somos crianças. Mas o tempo passa e as coisas mudam.

Daqui a uns anos, também vou ter que ser uma dessas pessoas responsáveis que vemos tão frequentemente nas filas dos bancos ou, mais recentemente, nas filas da loja do cidadão. O que espero é não me tornar, como todos eles, cinzenta. Espero nunca me esquecer de dar os bons dias aos vizinhos. Espero nunca me esquecer de sorrir ao ver um dia de sol.

Espero nunca me esquecer de como é bom ser jovem. Espero nunca deixar de ser jovem. Agora. Daqui a 10 anos. Daqui a 20 anos. Quando eu tiver 60 anos, hei-de ser uma reformada toda "para a frentex". Apesar da idade avançada, hei-de ser sempre uma jovem na alma. Porque "that's what this is all about".

Não importa a idade do corpo, mas sim a idade da mente. Deixa assim muitos beijinhos, a todos os "jovens" que lerem este texto.

 

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publicado por Nana às 22:31

10
Nov 05

O meu professor de química...

Ou talvez seja mais correcto dizer o meu ex-professor de química... Bom, não interessa! Para mim, vai ser sempre o meu professor de química preferido! E com muita sorte até podemos ser primos (sim, eu também tenho Martins no nome!). "Era muito azar", pensaria ele se lesse isto.

Enfim... Hoje, não sei porquê, apeteceu-me escrever sobre este stor. Sem dúvida, o meu stor preferido . Hoje posso dizê-lo sem rodeios, uma vez que já não corro o risco de ser acusada de estar a "dar graxa"... Tenho saudades. A sério que tenho. Hoje em dia, eu e as minhas colegas ainda o perseguimos durante os intervalos (o que levou muito tempo para conseguir, visto que um passo dele são 3 nossos! Muito tempo de prática, ah pois é...), mas não é a mesma coisa.

Ainda me lembro do que me disseram na primeira aula que tive com ele. "Este stor? Ui, é um dos mais lixados!...". Hoje lembro-me disso e não posso deixar de sorrir ao pensar que, possivelmente, depois de me terem dado essa informação preciosa, alguma vez terei ido, no início, a uma aula dele com algum receio.

Lembro-me da cara dele quando lhe disse que não sabia o que eram joules. "A menina está a brincar, não está?". Não, não estava... É verdade, que no 10º ano sem saber o que eram joules... Merecia umas boas chicotadas... Mas a culpa também não foi minha. E lá me fui habituando ao "professor lixado"...

Hoje, infelizmente, não é ele quem nos dá química. "Não vou dar química de 12º", avisou ele. Não acreditei. Era verdade. Já explicitei em textos anteriores o que sinto pela minha nova professora de química, pelo que não vou falar dela hoje. Apesar de já não ser nosso stor, penso que há coisas das quais eu nunca me vou esquecer.

Das bocas mandadas. Dos comentários machistas (sempre em tom de brincadeira.... ou não??). Dos bocados de giz que iam parar à cabeça dos mais faladores (ou, eventualmente, aos braços dos pobres coitados que se sentavam em frente dos mais faladores). Dos mini-testes.

Do relatório de física, no qual ele nos fez penar que nem uns desgraçadinhos. De quando ele dava a entender que eu era burra e eu, inteligentemente, não percebia!!! ("Menina, pintou o cabelo?" "Não stor, pus espuma!!"). Dos kinders (ou do super-kinder! Fico à espera de mais um para o ano que vem!). Do molho de feijão na objectiva da camera.

Das tentativas, infrutíferas, de descer as escadas ao mesmo ritmo que ele (quantas chávenas de café beberá ele para conseguir fazer aquilo??). De quando se virava para o quadro para disfarçar o riso, provocado por uma piada da qual a "ética" o podia proibir de rir. Do "Fujam, que a Filipa vai saltar".

De quando ele se lembrava de começar a falar em inglês (ou pior ainda, quando queria dizer o nome de alguma coisa e só se lembrava desse nome em inglês!). Das suas aventuras de quando era jovem (pois, chama-nos a nós rebeldes, mas ele é que ia de boleia para o Algarve com os amigos, ah pois!). Do GPS que era excelente mas não funcionava. Dos avisos elucidativos ("Quem anda com uma máquina de filmar, corre o risco de cair e ficar com a objectiva enfiada no olho!").

De quando via que estava a ficar apertado de tempo e dizia o seu famoso "Jesus", com o seu fantástico sotaque inglês. De quando foi para o algar e teve a momentânea sensação de que era o Tarzan. Do seu chapéu "bastante utilizado pelas tropas australianas". De quando saiu de cima de um bocado enorme de calcário (no mega-campo de lapiás) e, como bom cavalheiro, foi-se embora, deixando que a stora Eunice saltasse sozinha.

De quando estava contente e acabávamos por encontrá-lo a cantar "as pombinhas da Catrina". Do quão odiava ser fotografado, o que não deixa de ser irónico, visto que a pessoa de quem tenho mais fotos, depois da Sandra, é mesmo ele. Das constantes comparações entre nós e a filha dele (que tem 5 anos).

Do andar típico, que só ele é que tem e que é reconhecível a quilómetros de distância (passos de gigante, casaco às costas, pendurado numa das mãos, livro de pontos na outra mão, sempre a oscilar, entre o indicador e o polegar). Das perseguições feitas durante ao intervalo, que se prolongarão este ano! (sim, sim... you can run, but you can not hide! Lol).

Das "perturbações" causadas pela Sandra. Das eventuais calinadas ("Sandra, quando vir o seu namorado, dê-lhe um caldo! Ahm.. Stor... ESTE é o meu namorado..."). De quando ele diz que tem saudades nossas (pronto, tá bem, ele não diz... mas agente entende pelo olhar dele...lol Cheias de fé!). Da meiazinha para dentro das calças na visita de estudo (mas essa ficou registada!). Dos avisos frequentes da Sandra, sobre os efeitos do tabacos. Daquele "vidro especial, que serve para que a tampa saia mais facilmente", sendo que depois ficou o intervalo todo a tentar tirá-lo.

Das gotinhas no filtro do cigarro, para bloquear a nicotina. Das horas que levávamos na auto-avaliação. De quando não quis abrir a garrafa de champanhe nos meus anos (mau!!!). Da paciência que tinha connosco. Até a filha deste stor nos disse aquela frase inspirada, "És horrível!!", o que só prova que a hereditariedade existe!...

Por tudo isto e muito mais, fico feliz por ter tido a sorte de alguma vez ter sido aluna deste excelente stor!... Todos nós sentimos a sua falta. Sei que o stor nunca vai ler isto (e ainda bem, porque ainda ficava convencido... é melhor não!.. lol), mas ainda assim queria deixar aqui bem expresso o que eu (e penso que toda a minha turma) sinto...

Saudades...

publicado por Nana às 19:35

08
Nov 05

Tudo começou no ano lectivo passado. Não me lembro bem em que altura.

De início, eram só as más disposições. Por vezes, até tinha que sair no meio das aulas. Ia a correr para a casa-de-banho mas, ao chegar lá, não vomitava.

"Não andas a comer bem, espero que não estejas a apanhar uma úlcera", dizia a minha mãe. Tal como ela, todos, eu incluída, pensaram que eram problemas de estômago.

Fui fazer exames e, após a espera eterna dos resultados, fiquei a saber que tenho o estômago em perfeitas condições.

Passado algum tempo, para além das más disposições, o meu coração começava a bater desenfreadamente, durante alguns segundos, voltando ao normal pouco depois. "Então é isso, problemas cardíacos!", pensei eu. Fiz exames. Nada. Coração perfeito.

"Talvez tenhas algum problema no sangue. Se o tiveres muito grosso, pode ser a causa desses batimentos cardíacos acelerados", disse o meu pai. Exames ao sangue. Nada.

Cada vez me custava mais ir à escola, sendo que cada vez que lá entrava me sentia mais e mais mal-disposta. Deixei de ir à escola. Simplesmente não conseguia. "Será que estou a ficar maluca?", perguntava-me eu. Chega uma determinada altura que, só de pensar em sair de casa, fico mal-disposta.

Conclusão: começo a não sair de casa. Por um lado, sentia-me bem em casa. Por outro, se continuasse a faltar, ia chumbar o ano e, pior do que isso, perder uma turma com pessoas que eu adoro. Por pensar nessas pessoas e pelos argumentos do meu prof de educação física, comecei a ir às aulas. Passava as aulas mal-disposta. Os intervalos também.

Houve um dia em que tive um ataque fortíssimo: fechei-me na casa de banho; toda eu tremia, chorava, quase não respirava, tinha as pernas e os braços dormentes. Sabia lá eu que estava a ter um ataque de pânico... Só quem passa por isto sabe o que é. "Das duas uma: ou vais à casa de banho, pões os dedos na garganta e vomitas de uma vez, ou deixas de andar por aí a pensar que estás mal-disposta!". Foram estas as palavras do meu professor de educação física, quando eu estava quase a chumbar por faltas. Na altura, ao ouvir isto, não sei quantas pragas lhe roguei. Porque é que ele estava a ser tão duro comigo, porque é que ninguém me percebia?? Mal sabia eu que essas mesmas palavras me iam salvar de mim mesma...

A partir do momento em que ele me disse isto, eu comecei a ter vergonha de dizer que estava mal-disposta. Como não estava a falar sempre nisso, esquecia-me. Quando me esquecia, não estava mal disposta!... Quando voltava a lembrar-me, começava a ficar mal disposta outra vez.

Com a continuação do tempo, ir às aulas tornava-se menos difícil. Sabia que podia vomitar a qualquer momento (devo sublinhar que, desde que tenho isto, não vomitei uma única vez!), mas também sabia que, se o fizesse durante as aulas, tinha amigos e professores que nunca, mas nunca me iam por de lado por isso. Nunca me iam olhar de lado por isso. Nada. Iam apoiar-me. E era por saber disso que eu ia.

Houve uma altura em que me custava tanto ter isto, que eu nem sabia o que era, que cheguei a pensar se valeria a pena continuar a viver assim. De que valia continuar a acordar todas as manhãs, sabendo que me ia sentir mal todo o santo dia?

Felizmente sou cobarde. Felizmente tenho família, amigos e professores que nunca me perdoariam se eu fizesse alguma coisa estúpida. Um dia a minha mãe, de tanto pesquisar, descobriu o meu problema. "Ansiedade/ transtorno do pânico". Os mesmos sintomas, tudo.

Fui a uma psicóloga, que não só confirmou, como também me esclareceu que este tipo de ansiedade vem, normalmente, com agrofobia, medo de sair de casa, de espaços abertos ou de sítios com muita gente.

Hoje, felizmente, consigo controlar os ataques. Se antes tinha 5, 6 ataques fortes por dia, hoje tenho um ataque por semana que, talvez por já o saber controlar, não me afecta quase em nada.

Não sei se este texto vai ajudar alguém. Possivelmente não. Mas pode ser que sim. Hoje agradeço a todos os que me ajudaram a passar o que foi, sem qualquer sombra de dúvida, o pior período da minha vida.

Agradeço ao meu pai, mãe e avó. À minha turma. Aos meus professores Zé Luis, Paulo Martins, Eunice, Maria do Carmo. À minha stora Teresa Pontes, que é um exemplo para mim.

A todos.

O meu OBRIGADA, do fundo do coração. Porque sei que, sem vocês, nenhum dos esforços que faço valeriam a pena.

publicado por Nana às 16:13

Novembro 2005
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