Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

08
Nov 05

Tudo começou no ano lectivo passado. Não me lembro bem em que altura.

De início, eram só as más disposições. Por vezes, até tinha que sair no meio das aulas. Ia a correr para a casa-de-banho mas, ao chegar lá, não vomitava.

"Não andas a comer bem, espero que não estejas a apanhar uma úlcera", dizia a minha mãe. Tal como ela, todos, eu incluída, pensaram que eram problemas de estômago.

Fui fazer exames e, após a espera eterna dos resultados, fiquei a saber que tenho o estômago em perfeitas condições.

Passado algum tempo, para além das más disposições, o meu coração começava a bater desenfreadamente, durante alguns segundos, voltando ao normal pouco depois. "Então é isso, problemas cardíacos!", pensei eu. Fiz exames. Nada. Coração perfeito.

"Talvez tenhas algum problema no sangue. Se o tiveres muito grosso, pode ser a causa desses batimentos cardíacos acelerados", disse o meu pai. Exames ao sangue. Nada.

Cada vez me custava mais ir à escola, sendo que cada vez que lá entrava me sentia mais e mais mal-disposta. Deixei de ir à escola. Simplesmente não conseguia. "Será que estou a ficar maluca?", perguntava-me eu. Chega uma determinada altura que, só de pensar em sair de casa, fico mal-disposta.

Conclusão: começo a não sair de casa. Por um lado, sentia-me bem em casa. Por outro, se continuasse a faltar, ia chumbar o ano e, pior do que isso, perder uma turma com pessoas que eu adoro. Por pensar nessas pessoas e pelos argumentos do meu prof de educação física, comecei a ir às aulas. Passava as aulas mal-disposta. Os intervalos também.

Houve um dia em que tive um ataque fortíssimo: fechei-me na casa de banho; toda eu tremia, chorava, quase não respirava, tinha as pernas e os braços dormentes. Sabia lá eu que estava a ter um ataque de pânico... Só quem passa por isto sabe o que é. "Das duas uma: ou vais à casa de banho, pões os dedos na garganta e vomitas de uma vez, ou deixas de andar por aí a pensar que estás mal-disposta!". Foram estas as palavras do meu professor de educação física, quando eu estava quase a chumbar por faltas. Na altura, ao ouvir isto, não sei quantas pragas lhe roguei. Porque é que ele estava a ser tão duro comigo, porque é que ninguém me percebia?? Mal sabia eu que essas mesmas palavras me iam salvar de mim mesma...

A partir do momento em que ele me disse isto, eu comecei a ter vergonha de dizer que estava mal-disposta. Como não estava a falar sempre nisso, esquecia-me. Quando me esquecia, não estava mal disposta!... Quando voltava a lembrar-me, começava a ficar mal disposta outra vez.

Com a continuação do tempo, ir às aulas tornava-se menos difícil. Sabia que podia vomitar a qualquer momento (devo sublinhar que, desde que tenho isto, não vomitei uma única vez!), mas também sabia que, se o fizesse durante as aulas, tinha amigos e professores que nunca, mas nunca me iam por de lado por isso. Nunca me iam olhar de lado por isso. Nada. Iam apoiar-me. E era por saber disso que eu ia.

Houve uma altura em que me custava tanto ter isto, que eu nem sabia o que era, que cheguei a pensar se valeria a pena continuar a viver assim. De que valia continuar a acordar todas as manhãs, sabendo que me ia sentir mal todo o santo dia?

Felizmente sou cobarde. Felizmente tenho família, amigos e professores que nunca me perdoariam se eu fizesse alguma coisa estúpida. Um dia a minha mãe, de tanto pesquisar, descobriu o meu problema. "Ansiedade/ transtorno do pânico". Os mesmos sintomas, tudo.

Fui a uma psicóloga, que não só confirmou, como também me esclareceu que este tipo de ansiedade vem, normalmente, com agrofobia, medo de sair de casa, de espaços abertos ou de sítios com muita gente.

Hoje, felizmente, consigo controlar os ataques. Se antes tinha 5, 6 ataques fortes por dia, hoje tenho um ataque por semana que, talvez por já o saber controlar, não me afecta quase em nada.

Não sei se este texto vai ajudar alguém. Possivelmente não. Mas pode ser que sim. Hoje agradeço a todos os que me ajudaram a passar o que foi, sem qualquer sombra de dúvida, o pior período da minha vida.

Agradeço ao meu pai, mãe e avó. À minha turma. Aos meus professores Zé Luis, Paulo Martins, Eunice, Maria do Carmo. À minha stora Teresa Pontes, que é um exemplo para mim.

A todos.

O meu OBRIGADA, do fundo do coração. Porque sei que, sem vocês, nenhum dos esforços que faço valeriam a pena.

publicado por Nana às 16:13

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