Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

10
Nov 05

O meu professor de química...

Ou talvez seja mais correcto dizer o meu ex-professor de química... Bom, não interessa! Para mim, vai ser sempre o meu professor de química preferido! E com muita sorte até podemos ser primos (sim, eu também tenho Martins no nome!). "Era muito azar", pensaria ele se lesse isto.

Enfim... Hoje, não sei porquê, apeteceu-me escrever sobre este stor. Sem dúvida, o meu stor preferido . Hoje posso dizê-lo sem rodeios, uma vez que já não corro o risco de ser acusada de estar a "dar graxa"... Tenho saudades. A sério que tenho. Hoje em dia, eu e as minhas colegas ainda o perseguimos durante os intervalos (o que levou muito tempo para conseguir, visto que um passo dele são 3 nossos! Muito tempo de prática, ah pois é...), mas não é a mesma coisa.

Ainda me lembro do que me disseram na primeira aula que tive com ele. "Este stor? Ui, é um dos mais lixados!...". Hoje lembro-me disso e não posso deixar de sorrir ao pensar que, possivelmente, depois de me terem dado essa informação preciosa, alguma vez terei ido, no início, a uma aula dele com algum receio.

Lembro-me da cara dele quando lhe disse que não sabia o que eram joules. "A menina está a brincar, não está?". Não, não estava... É verdade, que no 10º ano sem saber o que eram joules... Merecia umas boas chicotadas... Mas a culpa também não foi minha. E lá me fui habituando ao "professor lixado"...

Hoje, infelizmente, não é ele quem nos dá química. "Não vou dar química de 12º", avisou ele. Não acreditei. Era verdade. Já explicitei em textos anteriores o que sinto pela minha nova professora de química, pelo que não vou falar dela hoje. Apesar de já não ser nosso stor, penso que há coisas das quais eu nunca me vou esquecer.

Das bocas mandadas. Dos comentários machistas (sempre em tom de brincadeira.... ou não??). Dos bocados de giz que iam parar à cabeça dos mais faladores (ou, eventualmente, aos braços dos pobres coitados que se sentavam em frente dos mais faladores). Dos mini-testes.

Do relatório de física, no qual ele nos fez penar que nem uns desgraçadinhos. De quando ele dava a entender que eu era burra e eu, inteligentemente, não percebia!!! ("Menina, pintou o cabelo?" "Não stor, pus espuma!!"). Dos kinders (ou do super-kinder! Fico à espera de mais um para o ano que vem!). Do molho de feijão na objectiva da camera.

Das tentativas, infrutíferas, de descer as escadas ao mesmo ritmo que ele (quantas chávenas de café beberá ele para conseguir fazer aquilo??). De quando se virava para o quadro para disfarçar o riso, provocado por uma piada da qual a "ética" o podia proibir de rir. Do "Fujam, que a Filipa vai saltar".

De quando ele se lembrava de começar a falar em inglês (ou pior ainda, quando queria dizer o nome de alguma coisa e só se lembrava desse nome em inglês!). Das suas aventuras de quando era jovem (pois, chama-nos a nós rebeldes, mas ele é que ia de boleia para o Algarve com os amigos, ah pois!). Do GPS que era excelente mas não funcionava. Dos avisos elucidativos ("Quem anda com uma máquina de filmar, corre o risco de cair e ficar com a objectiva enfiada no olho!").

De quando via que estava a ficar apertado de tempo e dizia o seu famoso "Jesus", com o seu fantástico sotaque inglês. De quando foi para o algar e teve a momentânea sensação de que era o Tarzan. Do seu chapéu "bastante utilizado pelas tropas australianas". De quando saiu de cima de um bocado enorme de calcário (no mega-campo de lapiás) e, como bom cavalheiro, foi-se embora, deixando que a stora Eunice saltasse sozinha.

De quando estava contente e acabávamos por encontrá-lo a cantar "as pombinhas da Catrina". Do quão odiava ser fotografado, o que não deixa de ser irónico, visto que a pessoa de quem tenho mais fotos, depois da Sandra, é mesmo ele. Das constantes comparações entre nós e a filha dele (que tem 5 anos).

Do andar típico, que só ele é que tem e que é reconhecível a quilómetros de distância (passos de gigante, casaco às costas, pendurado numa das mãos, livro de pontos na outra mão, sempre a oscilar, entre o indicador e o polegar). Das perseguições feitas durante ao intervalo, que se prolongarão este ano! (sim, sim... you can run, but you can not hide! Lol).

Das "perturbações" causadas pela Sandra. Das eventuais calinadas ("Sandra, quando vir o seu namorado, dê-lhe um caldo! Ahm.. Stor... ESTE é o meu namorado..."). De quando ele diz que tem saudades nossas (pronto, tá bem, ele não diz... mas agente entende pelo olhar dele...lol Cheias de fé!). Da meiazinha para dentro das calças na visita de estudo (mas essa ficou registada!). Dos avisos frequentes da Sandra, sobre os efeitos do tabacos. Daquele "vidro especial, que serve para que a tampa saia mais facilmente", sendo que depois ficou o intervalo todo a tentar tirá-lo.

Das gotinhas no filtro do cigarro, para bloquear a nicotina. Das horas que levávamos na auto-avaliação. De quando não quis abrir a garrafa de champanhe nos meus anos (mau!!!). Da paciência que tinha connosco. Até a filha deste stor nos disse aquela frase inspirada, "És horrível!!", o que só prova que a hereditariedade existe!...

Por tudo isto e muito mais, fico feliz por ter tido a sorte de alguma vez ter sido aluna deste excelente stor!... Todos nós sentimos a sua falta. Sei que o stor nunca vai ler isto (e ainda bem, porque ainda ficava convencido... é melhor não!.. lol), mas ainda assim queria deixar aqui bem expresso o que eu (e penso que toda a minha turma) sinto...

Saudades...

publicado por Nana às 19:35

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