Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

11
Nov 05

Os adultos. Pessoas difíceis. "Tu já és uma adulta, tens que saber o que fazes", diz a minha mãe.

Não sou. Não quero ser. Para já, recuso-me a ser considerada adulta antes do tempo, visto que, perante a lei, só vou ser adulta daqui a 8 meses. Antes que algum adulto se ofenda, eu gostava de esclarecer o que é, para mim, um adulto.

Adultos são aquelas pessoas cinzentas. Trabalham, pagam as contas. Podem ser exemplares ou não. Mas são vazias. Vazias de alegria, vazias de vontade de mudar. Resignam-se com um destino comprado, dialogado e manipulado por outras pessoas, de modo a atingir uma tal comodidade que só dessa forma se pode obter. Vidas sedentárias, sem tempo para apreciar aquelas pequenas coisas que dão um sentido colorido à vida.

Adultos. Sempre com pressa, stressados, sempre atrás de um tempo que, embora não se apercebam, já passou. Sempre em busca de um ideal, esquecido por eles próprios. Pessoas a quem a vida persegue, cheia de contas para pagar e cada vez com menos dinheiro para poder fazê-lo. Pessoas preocupadas. Sempre.

Que acabam por esquecer como era bom ser jovem. Como era bom andar de braço dado com um amigo, sem a preocupação da opinião das outras pessoas sobre as costas. Como era bom ter amigos verdadeiros. Sem mentiras, sem intrigas. Assim são os adultos.

Porque são pessoas com responsabilidades. Porque são pessoas que têm que ganhar o pão que comem e, de tanto pensar nisso, acabam por esquecer todo o resto. Acabam por se esquecer de sorrir. A alguém na rua. Ao ver alguma coisa bonita. Sorrir apenas.

Tenho medo de me tornar nesse tipo de pessoa. Porque não quero esquecer-me. Dos amigos, de sorrir, de como é bom a sensação de protecção que temos, ao pensar que somos crianças. Mas o tempo passa e as coisas mudam.

Daqui a uns anos, também vou ter que ser uma dessas pessoas responsáveis que vemos tão frequentemente nas filas dos bancos ou, mais recentemente, nas filas da loja do cidadão. O que espero é não me tornar, como todos eles, cinzenta. Espero nunca me esquecer de dar os bons dias aos vizinhos. Espero nunca me esquecer de sorrir ao ver um dia de sol.

Espero nunca me esquecer de como é bom ser jovem. Espero nunca deixar de ser jovem. Agora. Daqui a 10 anos. Daqui a 20 anos. Quando eu tiver 60 anos, hei-de ser uma reformada toda "para a frentex". Apesar da idade avançada, hei-de ser sempre uma jovem na alma. Porque "that's what this is all about".

Não importa a idade do corpo, mas sim a idade da mente. Deixa assim muitos beijinhos, a todos os "jovens" que lerem este texto.

 

adultos.jpg

publicado por Nana às 22:31

Novembro 2005
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
12

13
15
16
17
19

23
24
25
26

28
29


subscrever feeds
tags

todas as tags

mais sobre mim
pesquisar
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Se os virem... Avisem!
Eu, por acaso, gosto desta!
E quantos são? (desde 30.07.2008)
blogs SAPO