Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

24
Jan 06

A minha avó materna tem três filhos: o Rui, o António e a minha mãe. Duas das desvantagens da minha avó são as seguintes:

 1ª: ela faz uma confusão impressionante com os nomes das pessoas. Sejam elas filhos, netos, primos... Quando ela chama pelo nome da minha prima, já sei que me está a chamar a mim...

 2ª: não gosta de ser contrariada; as coisas só podem ser de uma maneira, que é a maneira dela. Quando a contrariamos enerva-se e dá uns gritinhos que, para o bem da comunidade, não vou reproduzir. Se alguém tem que sofrer com estes gritinhos, que sofra eu, que sou do sangue.   

 Então o que vou contar aconteceu há uma semana.

 

A minha avó tem, ao lado do telefone, uma infindável lista de papéis, onde tem escritos os números de telefone de toda a gente: família, amigos...

 Estava a minha mãe na cozinha, quando chegou a minha avó (mora na casa ao lado).

 

Avó: Isabel, não sei onde pus o nº do Tonico (nome pelo qual é tratado o meu tio António).

Mãe: O nº do telemóvel?

Avó: Nãooo, o de casa!

Mãe: Mas o Tonico já não tem telefone em casa há meses, ele agora só usa o telemóvel...

Avó: Isabel!! (danger: avó contrariada) Ele deu-me o nº anteontem, é porque tem!!

Mãe: Não mãe, pense lá bem... Ele não tem telefone em casa há tanto tempo...

Avó: Estás a querer dizer o quê?? Que estou maluca, não??

Mãe: Não... Estou a querer dizer é que o Tonico não tem telefone em casa....

Avó: Olha, vou-me mas é já embora, para não me estar aqui a irritar!!! (claro que esta frase foi dita com os célebres gritinhos, porque ela só diz que não se quer enervar quando já está enervada)

 

(Avó foi-se embora, irritada, deixando a minha mãe igualmente irritada)

 (Passados minutos, avó volta com a sua compilação de papéis rabiscados com números de telefone, alguns dos quais ainda são do tempo em que os números não começavam com um “2”...)

 

Avó: PRONTO, VÊ!!!!! (põe os papéis em cima da mesa)

Mãe: Mas mãe... Já lhe disse que o Tonico não tem telefone em casa!

Avó: Tonico?? Mas estás maluca ou quê?? Quem é que está a falar no Tonico??

Mãe: ???????????

Avó: O RUIIII, MULHERRR!!! O RUIII!! EU QUERO O NÚMERO DO RUI!!!!

 

E pronto... Esta foi uma das confusões que esta confusão que ela faz com os nomes gerou... É claro que eu, no meu cantinho, ria... Afinal... De que vale a gargalhada, se não fazemos uso dela em situações assim??

publicado por Nana às 20:42

21
Jan 06

Hoje fui almoçar fora. Íamos almoçar no restaurante habitual mas, como este estava fechado, decidimo-nos por um género de "restaurante/ tasca", que estava mesmo ao lado. Mal entrámos, deu para perceber que o dono era o que estava sentado na mesa à frente da nossa, e estava a almoçar com a filha e a neta, que devia ter um aninho, se tanto.


Acontece que a miúda está chateada com qualquer coisa e pede uma caneta, para fazer desenhos na toalha da mesa (que era de papel, obviamente). O avô oferece-lhe uma caneta no bolso.


Avô: "Toma lá esta, é gira, não vês? Até escreve a duas cores e tudo..."


Neta: "Nãoooo, num quéi essaaaaa!"


Avô: "Não queres esta.... De certeza que não queres só porque é minha.... És mesmo como a tua avó!!!!"


Nisto sai da cozinha aquilo que nós sempre desejámos não ver (pelo menos da cozinha de onde saiu o nosso almoço): uma senhora gordinha, baixinha, sem touca na cabeça, mãos cheias de anéis, um buço tal que ainda me perguntei se seria realmente uma mulher... Pelo que disse (lançando um número record de gafanhotos por palavra) depois, cheguei à conclusão de que se tratava da avó da menina:


"OLHAAA, mais vale sair à avó do que ao avô!!!!!", e voltou para a cozinha...


Ainda me fartei de rir com esta cena teatral...


E o que ainda mais piada meteu foi o facto de, quando a senhora voltou para a cozinha, a mãe da miúda voltar-se para a filha e dizer baixinho: "Filha, podes ser como a avó no que quiseres... Mas no feitio tenta ser um bocadinho diferente, sim?"


 


Bom fim-de-semana a todos!!

publicado por Nana às 21:00

19
Jan 06

Creio que todos os que lêem o meu blog há algum tempo devem estar fartos de ter que ler sobre isto. Mas não resisto, é mais forte do que eu!...

Em primeiro lugar, penso que o direito à educação devia ser igual para todos. Não é. Que lógica tem o facto de pessoas com dinheiro entrarem para a universidade (particular, of course) com média de 12, enquanto que as pessoas com menos recursos têm que se esfolar para ter média de 16, 17, 18?... Alguém me explica a lógica?? Ninguém, porque simplesmente não há qualquer lógica. E eu fico chateada!

Então mas por terem mais dinheiro serão mais inteligentes que nós? Se pobreza fosse sinal de burrice... Mas não é!! Então porque é que insistem na existência de universidades privadas?? Não entendo...

Outra coisa que não entendo: se no final do ano passamos com notas brilhantes e depois nos exames mantemos essas mesmas notas, os nossos professores são excelentes. Se passamos com notas brilhantes, mas no exame já baixamos, é porque no dia do exame estávamos num dia mau porque, afinal, os professores são brilhantes. Se passamos o ano com notas más... A culpa é do aluno!!!!

Novamente e, correndo o risco de começar a tornar-me repetitiva (e de a maioria das pessoas que estão a ler este texto apagarem a janela e irem procurar algo mais interessante para fazer), ONDE está a lógica??

Porque é que nós é que somos os culpados? Ou é porque somos burros, ou porque não estudamos, ou porque até estudamos mas não é suficiente... Agora, culpar o professor? Nunca...

Conclusão: os axónios e as dendrites dos meus neurónios estão extremamente juntos, deixando apenas algumas frechas, frechas estas que permitem a entrada da matéria de todas as disciplinas, filtrando apenas a matéria de química.

Sim, deve ser isso. A culpa é dos neurónios! Da professora?... Nahhh... Ela até já "só" vai uns 2 ou 3 capítulos atrasada na matéria... Bahhh!!

 

(Não liguem, está é a minha reacção natural quando me ponho a pensar que dentro de pouco tempo o exame nacional de química está aí e nós ainda vamos no primeiro de três livros...)

publicado por Nana às 17:16

16
Jan 06

Hoje estava a pensar (durante a aula de química, confesso, porque se não me puser a pensar noutras coisas acabo por adormecer, o que não convinha muito, uma vez que, segundo as más línguas, eu ressono) no quão sortuda eu sou. Não há duvida que o ser humano é um ser exigente e o facto de eu não estar feliz todos os dias só prova isso mesmo. Não estou feliz todos os dias, mas devia! Afinal...


Tive a sorte de, felizmente, nascer sem qualquer tipo de deficiências, sejam elas mentais ou físicas. Tenho um pai e uma mãe que adoro e que, posso afirmá-lo com toda a certeza do mundo, me adoram. Infelizmente não tenho muito contacto com a minha avó paterna, que vive nos Açores mas, para compensar, moro com a minha avó materna que, com os seus estardalhaços diários, suprime quase a falta de qualquer outro membro da família.


Tenho 3 irmãos (2 irmãos e uma irmã) mais velhos e dois sobrinhos que adoro. Um priminho de 5 anos que faz questão de me envolver em todas as suas brincadeiras, sejam elas dizer o nome de todos os animais marinhos que conheço ou cantar músicas inventadas por ele. Tenho amigos que todos os dias me recebem com um sorriso enorme, com os quais sei que posso contar para tudo.


Posso ver, cheirar, sentir, falar e ouvir. Não posso dizer que sou rica, antes pelo contrário, mas também não passo fome e sei que, num ou outro mês mais apertado, os irmãos da minha mãe estão sempre lá, prontos a ajudar. Tenho uma casa e uma caminha quentinhas, à minha espera, todos os dias.


Tenho uma doença, é um facto, chamada “Transtorno do pânico”, e sei que isso é mau mas, comparativamente a muitos relatos que leio de pessoas que sofrem do mesmo, só posso orgulhar-me de tudo o que tenho feito e aprendido com este problema. Todos os dias aprendo coisas novas, se não na escola, pelo menos com as pessoas com quem falo. Tenho uma vida inteirinha pela frente, pronta a ser vivida e aproveitada. Tenho consciência de que, mal acabe o meu curso de fisioterapia, vou ter coragem de me dirigir ao sítio certo e entregar o meu curriculum à selecção nacional (se bem que também tenho consciência de que isso pouco me vai valer,mas há que tentar!).


E pronto!! O que é que uma pessoa pode querer mais? Sou uma sortuda e acho incrível como é que é possível eu andar por aí triste de vez em quando! Neste momento, a única coisa que me entristece é mesmo a saudade que vou ter um dia, quando perder algum dos factores que mencionei acima...


Mas também, não vale a pena sofrer por antecipação, não é?


Uma boa semana a todos!

publicado por Nana às 15:18

13
Jan 06

Quinta-feira, dia 12 de Janeiro de 2006 – morrem 345 peregrinos muçulmanos durante um movimento de pânico.

Quarta-feira, dia 11 de Janeiro de 2006 – morrem 6 turistas australianos no despiste de um autocarro, no Egipto.

 Terça-feira, dia 10 de Janeiro de 2006 – Morrem 22 pessoas em Moçambique devido a cheias provocadas pelas fortes chuvas.

 Segunda-feira, dia 9 de Janeiro de 2006 – São anunciados mais 3 casos de gripe das aves, na Turquia.

 Domingo, dia 8 de Janeiro de 2006 – São anunciados mais 5 casos de gripe das aves, na Turquia.

 

 E podia continuar eternamente... O que pergunto é: que pessoa é que, tendo consciência de como vai o mundo, diz que "Sexta-feira 13 é dia de azar"?

Meus amigos, lamento informar-vos, mas chegámos a um ponto em que em todos os dias, até nas sextas-feiras 13, é uma sorte estarmos vivos... (Eu sei que isto soa a pessimismo, mas se o corpo celular, os axónios e as dendrites mais as suas fendas sinápticas dos meus neurónios me levaram a escrever isto, não posso ajudar em nada**).

 

** Convém esclarecer que, se não fossem os 180 extenuantes minutos de psicologia de hoje, esta frase muito provavelmente não teria sido formulada desta forma...

 

Aproveito ainda para agradecer a todos que comentam no meu blog... Graças a vocês, já ultrapassei os 200 comentários!

Obrigada a todos os que perdem tempo a ler as minhas "teen sandices".

 

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publicado por Nana às 21:06

12
Jan 06

O Bush. Deus. Presidente dos Estados Unidos. Homem. Animal. Assassino.


Trata-se de um indivíduo por quem, embora não conheça pessoalmente, nutro uma repulsa especial. Não é daquelas repulsas que sentimos por uma pessoa que não nos trata bem, ou por um professor que é injusto numa nota. É pois uma repulsa de estimação, a qual gosto de reavivar de vez em quando. O “bom” é que, para tal, não preciso fazer qualquer esforço. As coisas surgem naturalmente num noticiário ou até numa qualquer folha de jornal que esvoaça pelo chão da baixa de Setúbal.


Há quem diga que ele é uma pessoa não tão capacitada (o vulgo “burro”). Eu assino em baixo. Há quem diga que, além de burro, ele é estúpido. Assino em baixo, rubrico, faço o que quiserem. No entanto, há muita gente que diz que ele é o homem mais poderoso do mundo. E é com pena que concordo.


Mas como é possível que a humanidade tenha chegado a isto? Como é possível que se dê o título de “O mais poderoso” a uma pessoa cruel ao ponto de matar milhares de pessoas, desde a mais pequena das crianças ao mais velho dos anciões, apenas com a desculpa de que o presidente do país que essas pessoas habitam tem armas nucleares? E, depois de se ter provado que não haviam armas nucleares, qual o motivo que leva a uma continuação, por tempo indeterminado, dessa mesma matança?...


O Homem mais poderoso do mundo... O homem que deixa que milhares de pessoas do seu próprio país, o país que governa, morram devido a um furacão, quando dias antes obteve a informação de que esse mesmo furacão chegaria e, tendo meios para salvá-las antes do acontecimento, prefere antes que morram e, dias depois, quando já está tudo limpo, aparecer lá em jeitos de herói.


E, se é assim tão poderoso, como é possível que ainda não tenha achado o já parcialmente esquecido Bin Laden (tio Laden para os amigos)? Talvez uma amizade secreta esteja na base desse “desencontro” entre o Bin Laden e o resto do mundo...Por tudo isto e muito mais, digo que não percebo como é possível que uma pessoa destas detenha tamanho poder.


Porque, na minha opinião, o Bush é uma criança que encontrou um mapa-mundi e, sentindo o poder que tem sobre esse papel e num impulso de destruição (o chamado impulso de morte, em psicologia), debruça-se sobre o papel e rasga-o em mil pedaços. Não tem consciência do que está a fazer. Não tem consciência de que esse mapa pode fazer falta a alguém. Não tem consciência de que pode vir a fazer-lhe falta a ele, um dia. Não tem consciência de que está a rasgar continentes, países, cidades, vilas. Não tem. Só sabe que tem poder sobre aquele papel e que, por isso, pode fazer o que lhe apetece. Pura diversão ou para simples distracção por não ter nada para fazer? Não sei... Mas, pouco a pouco, os continentes e os países vão desaparecendo, transformando-se apenas em pequenos bocadinhos de papel, que até o próprio vento leva, sem querer.


bush2.jpg

publicado por Nana às 20:55

10
Jan 06

Para ser sincera, nunca gostei muito da disciplina Filosofia. Talvez porque a professora não me cativava, não sei.

O que é certo é que tive esta disciplina durante dois anos e não consegui gostar. Escusado será dizer que, não gostando da disciplina, não aprendi nada com ela, sendo que em todos os testes (ou em quase todos) tive a ajuda de alguns "auxiliares de memória"...

Hoje sinto-me culpada por dizer estas coisas, porque infelizmente a minha professora de filosofia faleceu no final deste Verão...

Bom, o que eu queria dizer com tudo isto foi que, de dois anos de aulas de filosofia, só uma coisa eu decorei. Quando estavamos a dar as falácias, ouvi a seguinte frase (não me lembro se li em algum sítio ou se foi algum colega meu que a inventou, só sei que, de dois anos, foi a única coisa que interiorizei!):

 

Se vamos à escola, temos que estudar. Se estudamos, ficamos cansados. Se estamos cansados, ficamos debilitados. Se estamos debilitados, podemos ficar doentes. Se estamos doentes, podemos morrer! Conclusão: ir à escola mata!!!

 

Está bem pensado, não está?? 

 

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publicado por Nana às 21:28

07
Jan 06

Tentativa de conversa sobre política com a minha avó...

- Então, vó, quem achas que vai ganhar as eleições presidenciais?

- Olha eu não sei... Mas acho que é o Sócres!

- Não é Sócres... É Sócrates... E esse não é candidato nestas eleições...

- Ah, pronto... Então queria que ganhasse aquele que agora tá a fazer muito sucesso no estrangeiro, como é que ele se chama... Barroso, não é??

- Avó... Esse também não é candidato! Os candidatos (achei por bem dizer quais as opções, antes que dissesse o nome de todos os políticos que conhece) são o Louçã, o Jerónimo, o Manuel Alegre, o Cavaco e o Soares...

- Ah... Eu não gosto assim de nenhum desses... O que eu gosto é aquele da Madeira... António Guterres, não é??

- BOM, eu vou jantar...

- Está bem, e diz à tua mãe que venha mas é buscar a roupa passada a ferro...

- Tá bem...

Da próxima, lembrem-me de não puxar o assunto "política" com a minha avó... Nunca dá certo!

(Convém contar que, no dia a seguir, ela veio dizer-me que o "Sócres" ganhou as eleições... Não vale a pena explicar-lhe que o Sócrates não é candidato e que as eleições ainda não foram efectuadas...)

 

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publicado por Nana às 21:57

04
Jan 06

Hoje estava aqui a falar com os meus botões e cheguei à "conclusão". Descobri qual uma das bases dos meus problemas.

Ao que parece, tenho um medo terrível da monotonia, de saber que o que estou a fazer agora é o que vou fazer para sempre. Não sei se tal medo se poderá denominar medo de compromissos. Talvez.

Posso dizer que me agrada a incerteza do futuro. Agrada-me saber que, apesar de cada vez serem menos as escolhas possíveis, ainda posso dar uma revira-volta e mudar completamente aquilo que por agora penso que será o meu futuro.

De certa maneira, não gosto da ideia de pensar "pronto, agora acabei o meu curso e é isto que vou fazer para sempre".

Talvez eu relacione essa ideia a alguma espécie de conformismo. Sei que tenho como objectivo entrar para o curso de fisioterapia. Sei que quero ser fisioterapeuta. Mas e quando for? Será que vou entrar na rotina e acabar por esquecer o quanto me custou lá chegar? Não me conformo em ter um futuro certo.

É essa uma das razões que me leva a gostar de ser estudante. Não saber como será o meu futuro. Saber, acima de tudo, que ainda vou sofrer muito, rir muito, amar muito. Tenho uma vida inteira pela frente e cabe-me a mim fazer dela algo bom, algo mau ou, simplesmente, algo normal. E é desta perspectiva que gosto: de ter uma vida pela frente e saber que posso fazer dela o que me der na telha.

Por isso digo que tenho problemas com compromissos. Porque, quando comprar uma casa, vai ser um compromisso. Já sei que vou ter que morar nela durante anos. E pagar as contas da mesma, durante anos. E, se for viver com uma pessoa, vou ter que ver essa pessoa todos os dias durante anos. Não sei porquê, mas isso assusta-me!

Assusta-me a responsabilidade, assusta-me o facto de traçar a minha vida de modo a que, talvez um dia, as amarras da realidade me apertem tanto que eu deixe de ter a capacidade de sonhar!

Quero estudar, quero viajar muito, cá dentro e lá fora, quero ir para África ajudar os refugiados, quero ir para a China ajudar as chinesinhas, quero espancar o Bush (upssss será que devia escrever isto aqui??), quero fazer muitas, muitas coisas!! E quero ser livre e dependente o suficiente para as poder fazer!

Depois sim... Depois de tudo isso, quando achar que já fiz tudo o que me era possível... Aí sim, comprar casa e assumir as responsabilidades que são minhas por direito... "You may say I'm a dreamer... But I'm not the only one..."

 

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publicado por Nana às 21:36

01
Jan 06

Olá!! Antes de mais nada, quero desejar-vos um 2006 cheio de alegrias!!

Neste primeiro dia do ano, vou escrever sobre um assunto acerca do qual já queria ter escrito há mais tempo mas, por falta de inspiração ou tempo, ainda não tive oportunidade.

Este episódio passou-se no passado dia 23 de Dezembro. Fui com a minha prima à baixa de Setúbal, para fazermos as últimas compras de Natal e passarmos um tempinho juntas, uma vez que ela fez 20 aninhos nesse dia. Íamos nós a falar sobre violência doméstica, sobre o porquê de muitas mulheres não se queixarem, sobre se os homens teriam ou não mais força do que as mulheres. Dizia-lhe eu que, se estivermos a falar de força física, depende muito da estatura corpórea do homem e da mulher a que nos referimos, ao que a minha prima me respondeu que, por mais magro que seja o homem, ele consegue sempre "dar mais do que levar".

Quando a minha prima acabou de dizer isto, fomos interrompidas pela voz de uma senhora que vinha atrás de nós. "Não diga isso, menina", disse ela à minha prima. Olhámos para trás e demos de cara com uma senhora pequenina, gordinha.

Tinha os olhos inchados, tinha estado, obviamente, a chorar, se bem que agora apenas os olhos inchados o denunciassem. Tinha um ar cansado e cheguei a reparar que, na primeira articulação do polegar da mão esquerda, tinha uma ferida, um buraco tão fundo que dava para ver algo branco por dentro, que deduzi ser mesmo o osso. Mas ela parecia não se importar com isso. Penso que estava mais importada em dar-nos uma lição que, quem sabe, talvez fique para toda a vida.

"Não diga isso porque a pior coisa que podemos fazer é deixá-los bater-nos uma vez! Nunca podemos deixá-los pensar que são melhores que nós, porque não são! Somos todos iguais, não há ninguém melhor que ninguém, nem nenhuma mulher deve ser criada do marido! Olhem, o meu marido... Ah... O meu ex-marido... Enfim...". E calou-se. Nós continuámos a andar e reparámos que a senhora tinha ficado para trás, para entrar numa papelaria qualquer.

Então eu, que sou de uma sensibilidade extrema e tenho sempre resposta para tudo, não encontrei mais nada para dizer à senhora a não ser "Obrigada e um bom Natal!"... Aí senhora começou a chorar... "Não menina... Este Natal não vai ser bom... Mas tenho a certeza de que os próximos vão ser muito melhores do que estes últimos...". Ainda a chorar, a senhora baixou a cabeça e entrou na loja, enquanto nós ficámos sem saber o que fazer e, uma vez que a vimos entrar, viemos embora também.

A violência doméstica não é algo de hoje, como todos sabem. Mas parece-me que ainda existam casos destes, em pleno século XXI. Porque não tentar acabar com tudo isso, neste novo ano que entra?

Sei que não depende de mim, nem de ninguém que lê este blog... Mas penso que se todos pudermos passar esta mensagem, penso que talvez possamos ajudar um pouquinho que seja...

E assim termino este post de hoje... Com uma esperança de um verdadeiro "Ano novo, Vida nova!"

publicado por Nana às 14:53

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