Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

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Abr 06
Chegaste com o ar superior de quem possui tudo o que te rodeia. Achámos que mudasses para melhor os teus defeitos e as nossas vidas. Não podíamos estar mais enganadas.
Chegaste e quiseste... mas não venceste.
Com a ajuda de alguns componentes, afundaste-te a ti. E com esse orgulho tão característico, não quiseste ser o único a afundar. A cada dia que passava, pegavas em nós com os laços que pensavas existir e arrastavas-nos para o fundo contigo.
Pergunto-me se saberias que nos arrastavas também ou se, simplesmente, nem te apercebias, tão concentrado que estavas na tua própria dor.
Mudaste as nossas vidas para sempre. Hoje, felizmente, já não estás cá. Não morreste, apesar de eu, durante o tempo que cá estavas, muito o ter desejado, simplesmente partiste para outro sítio. Para atormentar outras pessoas, talvez. Ou então para, por fim, sofreres em silêncio estes últimos tempos que te restam.
Foste embora mas tudo o que fizeste ficou. Ficaram as feridas que, após 3 anos de ausência, ainda não cicatrizaram. Ficaram os medos, os receios. Ficaram as tristezas e os anseios por uma parte de infância e adolescência não vividas.
Eu era uma miúda. Tu não entendias isso. Ou talvez simplesmente não quisesses entender. No entanto, culpavas-me de tudo o que te acontecia. Batias à porta do meu quarto às 4 da manhã, a chorar, para me dizer que a culpa de estares naquele estado era minha. Eu tinha 10/11/12/13 anos!
Hoje não tenho que aguentar a tua presença. A tua presença física. Porque estás longe. Mas não longe o suficiente para saíres da minha mente. Sempre que eu me sentir mal, sempre que eu tiver medo de algo, sempre que eu não conseguir confiar não só em mim, mas também nos que me rodeiam... Tu estarás lá, sempre... E se hoje aparento ser feliz, se sorrio ou dou uma gargalhada, dentro de mim existirá sempre uma parte escura. Uma parte da minha infância que tu, com os teus problemas e medos, pintaste de escuro com uma tinta permanente. Eu tento esquecer tudo, a sério que tento... Mas não dá...

**Queria só esclarecer que esta carta não foi escrita para o meu pai... felizmente, posso gabar-me de ter os melhores pais do mundo... trata-se de uma carta ao 2º marido da minha mãe...***
publicado por Nana às 13:51

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