Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

26
Mai 06
Cada vez mais tenho a noção de quão depressa o tempo passa. Se, num momento, olhamos em frente e vemos três longos anos, três piscadelas de olhos depois apercebemo-nos de que já estão a acabar.
Olho para trás e sorrio com o que vejo: conversas jogadas fora, sonhos e experiências partilhadas, risos, lágrimas, canções, jantares, abraços...
Olho em frente e não sei se gosto. Acredito que algumas amizades durem toda a vida. Mas e se não durarem? Cada um de nós vai seguir o seu caminho. Alguns para o sul, outros para o norte, outros acabam por ficar por cá mas, ainda assim, distantes daquilo a que uma vez chamámos a nossa segunda casa, a nossa segunda família. O contacto ao longo do tempo vai-se perdendo, bem como o à-vontade e toda aquela coisa especial, para a qual não tenho definição; nem a melhor enciclopédia, compêndio ou dicionário poderia encontrar uma palavra que descreva tal sentimento.
Daqui a uns anos, quando eu já for uma mulher de família formada, talvez os meus filhos me perguntem quem são aquelas pessoas, das fotos e dos vídeos. Quem são aquelas pessoas que cantam, dançam (e só não sapateiam porque não calha), riem e sorriem... E eu vou dizer-lhes que são as pessoas com quem passei os melhores anos da minha vida. E vou mandá-los para a cama, para que não vejam a lágrima que vai ser vertida, pelas saudades que tenho de todas aquelas pessoas. Mas, ao que parece, é assim a vida. Já o outro dizia que a vida é feita de encontros e desencontros! Apesar de tudo, a sorte que tenho por ter vivido o que vivi é imensa. E é disso que vou lembrar-me daqui a pouquinhos dias, quando chegar o dia do adeus. Adeus às pessoas, adeus às brincadeiras, adeus à palavras (algumas boas, outras sobre as quais mais vale verter o manto virtuoso do pudor), adeus a 3 anos que passaram mais depressa do que qualquer um de nós esperaria. E, daqui a uns anos, talvez um ano, dois anos, vinte anos, eu venha ler este texto e derrame mais uma lágrima... Por saudade, por vontade de voltar a um tempo que para trás ficou... Desse, meus amigos, só resta a recordação... e de recordações será feita a vida!

Deu-me para escrever este texto saudosista depios de ter lido um texto, também saudosista, do nosso amigo Pessoa...

(Agradeço a todas as pessoas que ainda vêm comentar... Peço desculpa por não ter comentado nos vossos blogs nestes últimos tempos, mas o tempo torna-se cada vez mais escasso e há que aproveitar todos os minutinhos para estudar... Apesar de não comentar, confiem que por lá dou uma espreitadela! Beijinhos)
publicado por Nana às 18:21

20
Mai 06
Está tudo bem, tu estás bem. É o que repito a mim própria. Não sei se apenas uma ou duas vezes. Talvez o repita dezenas de vezes e nem dê por isso. Repito-o porque sei o que vai acontecer. Sinto-o a chegar, de mansinho. Não é uma pessoa. É algo que me persegue. É o pânico. É o medo não sei de quê. Ao que parece, nenhuma das minhas palavras me acalmam. Não vale a pena lutar contra o meu próprio psicológico. É inútil. Sinto o meu coração a bater cada vez mais forte. Tenho vontade de chorar mas controlo-me, não quero que as outras pessoas notem. Não quero que se preocupem nem que sintam pena. Quero apenas que não notem. Com o coração a bater cada vez mais forte, sei que chega a palidez. Fico calada, sossegada, à espera que passe. Mas tanto tempo calada e ainda mais branca do que o normal, as pessoas acabam por adivinhar o que se passa. Preocupam-se e perguntam-me se há algo que possam fazer. A vontade de chorar é cada vez maior, porque não há absolutamente NADA que possa ser feito por mim. NADA! Vou ser diferente de todos para o resto da minha vida e a minha única opção é resignar-me a isso mesmo. Sinto o estômago às voltas. Sei que não vou vomitar, porque nunca cheguei a isso. Mas o medo é mais forte e acabo por sair e tentar isolar-me. Saio do cinema e deixo o resto do pessoal a ver o filme. Felizmente não notam, a não ser a pessoa a quem peço para vir comigo. Gosto sempre de ter alguém comigo nestes momentos, porque tenho medo de morrer. Nunca fui tão sincera como estou a ser agora. Tenho muito medo de morrer. Cada vez que tenho um destes ataques, uma das primeiras coisas que me vêm à cabeça é tentar fazer algo para o meu coração deixar de bater tão depressa, porque tenho medo que pare de vez. Estou farta. Farta de não poder fazer nada nem ir a lado nenhum por causa disto. Farta de não ter uma vida normal. Farta de pensar que, no futuro, vou ser uma pessoa isolada do mundo, que apenas sai da cama por tomar 4 ou 5 anti-depressivos. Não quero isso para mim. Nunca me imaginei assim. Mas agora imagino e sei que não é impossível eu vir a ser dessa forma. Por vezes sinto que mais valia perder a lucidez de vez. Assim não reparava. Nem dava por eles. Outras vezes, tenho medo disso mesmo. De enlouquecer. Tenho medo de mim própria, sinto que não posso confiar em mim. Tenho medo de ser demasiado fraca para conseguir ultrapassar esta “fase” da minha vida.
publicado por Nana às 11:19

16
Mai 06
Oh férias do meu coração
Tão longe, de mim distantes...
Vinham mesmo a calhar agora;
Nunca precisei tanto de férias antes.

De Natal ou de Verão,
Bem geladas ou quentinhas...
Quem é que recusava agora
Umas belas fériazinhas??

E quanto mais penso nelas
Ainda mais eu as desejo
Mas custam tanto a chegar
As fériazinhas que tanto almejo...

Então fico por cá e sonho,
A dormir e acordada
Sonho com umas belas férias
De papo para o ar sem fazer nada.

E quando por fim começarem,
E eu puder dormir até às dez,
Logo acabam tão depressa,
E começa a escola outra vez...

Começa a escola outra vez,
Com uma ou outra professora lerda...
Apetecem-me férias outra vez
E mandar a stora à......

FÉRIAS, PRECISO DE FÉRIAS!!!

Como podem ver, o nível dos textos aqui publicados vai caindo visivelmente à medida que o tempo passa. Temos pena. A autora precisa de férias (para o caso de serem distraídos e ainda não terem reparado).
publicado por Nana às 22:35

15
Mai 06
Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

(Álvaro de Campos)

Eu e o Álvaro de Campos iamo-nos dar muito bem... Julgo que temos muito em comum...
publicado por Nana às 21:47

11
Mai 06

Ao longo da minha vida tenho conhecido pessoas e pessoas. No entanto, hoje vou falar de um “tipo” específico: as pessoas com duas caras. Para mim, são do mais estranho que há. Eu, pessoalmente, tento a cada ia que passa definir a minha personalidade de acordo com as minhas características, gostos, anseios, virtudes e defeitos. Claro que a minha personalidade não está completamente definida. Penso que é algo que nunca pára de mudar; sou da opinião de que, todos os dias, nos deparamo com factores que podem mudar algo em nós. Agora, o que me faz espécie, é a pessoa que parece ter, simultaneamente, duas personalidades. Aquela pessoa que, num momento, é toda sorrisos, beijinhos, abracinhos (e todas as outras demonstrações de carinho terminadas em –inhos) e, noutro momento, torna-se precisamente o contrário. Vão-se os “-inhos”, vêm os “-ões”: rezingões. Geralmente, más-línguas.


Outra das características destas pessoas é o facto de falarem nas costas. Não é raro nem singular vermos A a falar bem com B e, quando B volta as costas, nem sabe o que o espera: torna-se instantaneamente a pior pessoa do mundo... Na boca de A, claro!! E alguns nem se coíbem de demonstrar que o fazem. Como se se tratasse de algo de que se orgulham.


A verdade é que todos temos a nossa quota parte de má língua. Admitamo-lo ou não! Penso que já faz parte do nosso Modus Vivendi, não há nada a fazer. Quem nunca falou mal de outra pessoa, que atire o primeiro livro do Chang (acreditem, é bem pior do que uma pedra: uma bordoada na cabeça com este livro será o equivalente à pata de um elefante ou mesmo pior, uma vez que a pata do elefante não tem fórmulas químicas impressas e... Bom, adiante!). Agora, há que ter consciência do que se diz.


Porque há conversas e conversas. E há pessoas e pessoas. Cabe a cada um decidir, dirigir, regular e governar a sua própria conduta. Cabe a cada um a decisão de ser verdadeiro ou não. E não digo que sejamos 100% verdadeiros; todos temos as nossas máscaras. Mas não tentemos ser algo que não somos. Acima de tudo, devemos ser nós próprios. Não ser uma pessoa com uns e outra pessoa com outros.


Tanto tempo se lutou pela igualdade... Pelo amor de Deus, minha gente, um pouco de ética!! E mais não digo, porque seria estar a falar mal de alguém... E, neste blog, já falei mal q.b. ... Por agora, fica-me tudo na cabeça. Quem sabe, talvez um dia passe tudo para o papel... Por agora, fica por cá.


O Homem é escravo do que diz, e dono e senhor do que não diz.

publicado por Nana às 21:13

08
Mai 06
Estou farta de gostar e de não gostar.
De saber e de desconhecer.
De me falarem e de me ignorarem.
De acordar e de dormir.
De me ensinarem e de me embrutecerem.
De ter fome e de não a ter.
De saber e de não fazer.
De fazer e de não saber.
De querer e de não poder.
De lutar e de não vencer.
De ter medo e de ser corajosa.
De ir e de não ir.
De ficar e de não ficar.
De falar e de não dizer.
De ouvir e de não saber.
De ver e de não ver.
De me mostrar e de me esconder.
De pensar e de não pensar.
Acima de tudo, estou farta de estar farta.

Preciso de férias.
publicado por Nana às 18:27

07
Mai 06
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Beijinhos, mãe!! Gosto muito de ti!
publicado por Nana às 17:45

02
Mai 06
“Está tudo mal! Este mundo vai de mal a pior! Qualquer dia morremos todos e a culpa é do Homem e só do Homem!!”

Porquê? Porque é que dizem que tudo está mal?
Olho pela janela e vejo o pôr do sol. O céu está vermelho, roxo... Os pássaros cantam e, daqui a pouquinho, um deles vem pousar no parapeito. Fazem-no sempre. Entra pela janela uma brisa, que me refresca a cara e a mente.
Oiço lá em baixo os cães a ladrar (à minha avó, que está agora a chegar a casa). A minha avó entra em casa e põe o rádio a tocar, em altos berros, o Roberto Leal. Contrastando com a minha mãe que, por sua vez, ouve ópera, também aos altos berros.
Olho pela janela e vejo os miúdos a jogar futebol. Um deles diz que é o Cristiano Ronaldo. Antes fosse.
No meio de tudo isto, oiço miúdos a brincar, vozes a cantar (se é que se pode chamar “cantar” aos sons que a minha mãe emite), pássaros, vejo árvores e um pôr do sol magnífico...
E pergunto... Estará tudo assim tão mal? Ou será que as pessoas, no meio de toda a ganância de tudo quererem e de com tudo se preocuparem, deixaram de ligar às coisas simples da vida?
publicado por Nana às 20:23

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