Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

25
Jun 06

Como todos observaram (ou não), dia 5 deste mês uma grande amiga minha teve um acidente de carro. Infelizmente ela vive noutro país e, após muitas informações conturbadas e trocadas, disseram-me que ela não havia resistido ao acidente.


No entanto, no dia seguinte, fui informada que a Brooklyn não tinha morrido. Ficou em coma. Durante estas 3 semanas, só pensei na Brooke. Todos os dias falei com a família, amigos e, especialmente, com o namorado.


Ela é uma rapariga muito forte. Aguentou toda uma cirurgia e, apesar de estar em coma, os médicos estavam optimistas. No entanto, a minha Brookezinha teve, na noite após a cirurgia, uma hemorragia cerebral. Entre muitos outros pormenores, soube que lhe saiu sangue pela boca, nariz e ouvidos. Nesse o momento, os médicos desistiram. Todos desistiram, menos eu e o Ryan, o namorado.


Mas a opinião dos médicos é que conta. E hoje, à uma da tarde, foi desligada a máquina que mantinha a minha menina presa a este mundo.


A minha menina tinha 21 anos. Era inteligente, linda e sempre pronta a fazer os outros rir. Como boa escocesa que era, dizia que, quando se casasse, visse o noivo vestido de fato e não de kilt, fugia e recusava-se a casar. Com o seu pai biológico preso desde pequena, aos doze anos foi adoptada por Paul Kennedy. Na festa do seu 21º aniversário, Brooke afirmou que se sentia a pessoa mais sortuda do mundo, pois tinha como “pai” o melhor ser humano à face da Terra.


Hoje, o mundo despediu-se desta menina. Aquela dorzinha de que falei há dias, está hoje transformada numa dor a sério. É com a cara lavada em lágrimas que escrevo o que escrevo. Porque penso que a passagem pelo mundo desta pessoa tão maravilhosa não devia, de maneira alguma, passar em branco.


Assim, quem ler isto, saberá que, até hoje, existiu uma menina, chamada Brooklyn Jade Kennedy, louca pelo Alan Smith (a quem devemos agradecer por ter deixado uma mensagem para ela no blog que a família criou para a apoiar, pouco depois do acidente), e que nos fazia rir a todos. As saudades já apertam...


Há uma música inglesa, chamada “One Sweet Day”, que diz muito... Vou traduzi-la e dedico-a a ti, Brooke.



Desculpa nunca ter dito
Tudo o que eu queria ter dito
Agora é tarde de mais para te abraçar
Porque voaste, para longe.
Nunca imaginei viver sem o teu sorriso
Sentir e saber que me ouves Mantém-me vivo.
E eu sei que estás a brilhar sobre mim, do céu
Como tantos amigos que perdemos ao longo do caminho
E sei que eventualmente estaremos juntos
Num doce dia...
Querida, eu nunca te mostrei
Pensei que sempre cá estivesses
Pensei que tinha a tua presença garantida
Mas sempre me importei
E sinto falta da amizade que partilhámos.


I’m gonna miss you, you sausage!! You’ll always be in my heart, no matter what. You changed my life for good, and I’ll never forget how strong you’ve been during these last 3 weeks. I hope today u get to rest in peace. And I hope someone read Alan’s comment before they turned off the machine. He said to Nicky that, when he starts playing again and when he scores, he’ll take his shirt off and, underneath it he’ll have another one, saying “For u, Brooke” in the front and “Your worth the yellow card I’m getting for doing this” in the back. He’s a legend for doing this. And so are you. I’m gonna miss you.

publicado por Nana às 15:27

22
Jun 06
Tenho uma dorzinha bem aqui, no peito.

Uma dorzinha insistente, que aumenta ao pensar nela mas que, de tão chata, não me permite deixar de pensar. Sei que não estás bem. Sei que nunca lerás isto e, mesmo que lesses não entenderias. A única palavra portuguesa que conheces é um palavrão, mas pelo menos posso gabar-me de te ter ensinado alguma coisa. Agora estás aí, longe. Provavelmente num sítio melhor do que este. Porque dizem sempre “foi desta para melhor”. Por isso, espero que estejas nesse melhor. Eu por cá fico. Por agora, pelo menos. Já todos perderam a esperança. Até os mais esperançados. Já ninguém espera nada.

Não sei se estás a sofrer ou não. Não sei se consegues ouvir o que te dizem. Não sei. Mas gostava que o tempo voltasse um bocadinho atrás. Porque há sempre coisas que ficam por dizer. Coisas que sabemos que queremos dizer, mas que só nos lembramos quando já é tarde. Sinto muito a tua falta. Oiço, vejo e sinto a tristeza em todos os que te conhecem. Domingo acaba tudo. Os médicos aconselharam, a tua mãe aceitou. Não sem relutância, mas aceitou. Domingo desligam a máquina que ainda te liga a esta Terra. Domingo libertam-te. Espero que, realmente, exista um paraíso. Se o houver, por lá nos encontramos. Por essa altura, podes pegar-me na mão e mostrar-me como funcionam as coisas por lá; é sempre bom ter uma guia quando vamos para longe de casa. De qualquer das maneiras, e enquanto eu cá ficar, vou sentir muito a tua falta. Levas contigo um bocadinho de mim. Eu cá me arranjo, e tento que a tua família e namorado se animem; é complicado, mas eu cá me amanho. Foi bom conhecer-te. As saudades já apertam. Tens sido uma lutadora até agora. Talvez seja verdade que mereces descansar. És uma estrela.

Tenho uma dorzinha bem aqui, no peito.
publicado por Nana às 21:25

19
Jun 06
Pois é... Hoje foi o primeiro exame nacional! Aliás, penso que só não sabe isto quem está totalmente desconectado do mundo, uma vez que em todos os telejornais apareceram alunos felizes, saindo de um exame que foi, na minha opinião, bastante acessível.
Escusado será dizer que não dormi quase nada durante a noite. Os nervos são, realmente, algo do outro mundo. Anyway, hoje de manhã decidi que não ia fazer o exame. Não ia. Pronto. Ia lá à escola, sim senhora, demonstrar o meu apoio ao resto da turma, mas só ia fazer o exame na segunda fase.
Só sei que, com a insistência de um, de outro, de muitos, de professores, de amigos, lá acabei por me ver à porta da sala 40. Tive a reacção mais natural numa altura destas: desatei a chorar. Estava a ter um bruto ataque de pânico e só ouvia pessoas à minha volta a dizer “Vá lá, entra lá, tu consegues...”.
Acabei por entrar na sala de livre expontânea vontade (tendo em conta que a minha “livre e expontânea vontade” consiste em duas professoras a empurrar-me para dentro da sala) e sentei-me no meu lugar. Toda eu tremia.
Seguindo as regras, um dos professores assistentes leu as regras dos exames. Minutos estes que me pareceram intermináveis.
O que é certo é que fiz o exame. Uma professora, que nem sequer é minha professora, nem sequer me conhecia, passou o exame todo a entrar para ver se eu estava bem, até me foi comprar água!!! Como é que eu posso não ser feliz, sabendo que existem pessoas assim??
Só posso dizer que o exame foi acessível e tenho que agradecer a TODOS os que me apoiaram neste dia tão importante para mim. A cada dia que passa eu vou dando pequenos passos, e é graças a vocês, que me apoiam, que o faço.
OBRIGADA a todos. Professores e amiguinhos. Adoro-vos!!

PS: Stora Teresa, o texto que lhe pedi para ler é o de baixo. Beijinhos
publicado por Nana às 21:18

16
Jun 06
Sim, eu sei. Sei que os exames começam na próxima semana e que, nesta altura, devia estar a estudar como se não houvesse amanhã. Sei que devia estar a tremer por todos os lados a pensar que na próxima segunda tenho que lá estar, às 8:30, na sala 40, com o BI em riste para fazer o exame de português. Sei de tudo isso. Mas, neste momento, nada disso me afecta. Absolutamente nada. Neste momento só posso sorrir e sentir-me feliz com mais uma vitória. Mais uma conquista.

Hoje saí de casa com o simples intuito de sair. Sair apenas. Claro, supostamente eu iria para a escola, para um apoio de matemática. A minha ideia era simplesmente sair de casa, ir a meio do caminho para ME provar que ainda consigo sair de casa e, quando me sentisse mal voltava para trás. Portanto, era este o meu “master plan”.

Ao chegar perto da escola lá senti a tal sensação, a qual já descrevi tantas vezes que penso não ser necessário descrevê-la outra vez, e decidi vir-me embora. No entanto, os meus Amigos (o A maiúsculo é propositado) foram buscar a minha professora de matemática. Isto porque, dois dias antes, esta professora pediu-me que, se eu não conseguisse ir o caminho todo, que lhe ligasse de onde quer que eu estivesse, que ela vinha ter comigo. Foram chamá-la, ela veio. Fui, relutante, até ao portão da escola. Vitória. Sentia-me mal, mas estava no portão da escola. Não sei quanto tempo estive ao portão. 30 minutos? 40? 50? Não faço ideia. Sei que a minha professora não me largou um minuto que seja. Esteve comigo, abraçou-me e, mais importante que tudo isso, entendeu-me. Tomei a decisão de entrar na escola por ela. Porque vi o quanto estava a custar-lhe ver-me assim (vá, chamem-me egocêntrica). Entrei. Ela deu uma volta comigo pela escola. Sempre comigo. Sempre a dar-me massagens nas mãos, sempre a abraçar-me, sempre a apoiar-me. Por fim consegui entrar mesmo no bloco, numa sala. Era como se houvesse uma luta dentro de mim: por um lado, queria sair dali, fugir. Por outro, não podia estar mais orgulhosa de mim mesma por não o fazer. Estive lá a fazer exercícios de matemática. Sei que, dito assim, não tem interesse nenhum. Grande coisa, estiveste numa sala onde estiveste o resto do ano. Mas, se tivermos em conta que sou uma pessoa que tem ataques de pânico SÓ de pensar em ir à escola... Não sei como explicar. Só me apetecia ir à janela e gritar “PESSOAL, OLHEM PRA MIM, ESTOU NA ESCOLA!!!”. Senti-me como se tivesse acabado de descobrir a cura para o cancro.

Tenho muito a agradecer. Agradecer à Sandra, à Filipa e ao Eduardo, que me aturaram durante o tempo que estive ao portão. Que em aturaram não apenas hoje, mas todos os outros dias, quando digo que vou e não vou, quando digo que faço e não faço. Amores, a vocês e ao resto da turma (mas em especial a vocês) agradeço o apoio, o carinho, as palavras, os gestos, os olhares.

Mas, e se não se importam, um agradecimento especial à stora Teresa. Graças a si consegui enfrentar o meu maior medo. Obrigada por me compreender. Obrigada por me apoiar. Obrigada pelas palavras, pelos abraços, pelas massagens nas mãos. Obrigada até pelas lágrimas que vi a brilhar quando eu própria me inundava nelas. Obrigada pelo conforto e por nunca me ter deixado só. Obrigada. Obrigada por ser um exemplo. Obrigada por ser alguém que me faz acreditar que eu posso vir a ser uma pessoa melhor se seguir o seu exemplo. Obrigada pela paciência. Obrigada. Não tenho como agradecer. Agradeço por palavras. Agradeço por olhares. Agradeço com a vitória que me ajudou a alcançar hoje.

Um agradecimento especial também à stora Isabel Lopes (psicologia). Pelas palavras. Pelos abraços. Por me ter ido buscar a casa num dia em que se tornou tão importante que o tivesse feito. Por me ter dado a mão enquanto conduzia. Por me ter ajudado a entrar na escola naquele dia e entendido quando me fui embora. Obrigada por ser um modelo. Consigo e com a stora Teresa, a aprendizagem observacional é o que mais posso desejar.

E agora acabo este texto, que já está mais em jeitos de entrega de Óscars do que um post normal. Vale o que vale. Acabo com a palavra que mais se leu neste post mas que, no entanto, nunca será suficiente.

OBRIGADA!

Deixo-vos a letra de uma musica dos Westlife, que fala melhor do que eu.

"You Raise Me Up"

When I am down and, oh my soul, so weary;
When troubles come and my heart burdened be;
Then, I am still and wait here in the silence,
Until you come and sit awhile with me.

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.

You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.
publicado por Nana às 19:12

08
Jun 06
Nunca pensei que me colocassem nesta posição. Juntei-me à Juventude hitleriana há algum tempo e, nessa altura, tudo fazia sentido. Agora? Agora tenho dúvidas. Dúvidas acerca do que é certo ou errado. Acerca do rumo da minha vida. Neste momento estou encarregue de assentar os nomes dos judeus que por nós passam. Abraham Aharon. Benesh Efraim. Vão de A a Z. São centenas. Milhares. Alguns ainda me sorriem. Outros olham-me com desprezo. Outros, e são esses os que mais me fazem sentir que estou errado, olham para mim com olhos tristes, olhos transparentes, através dos quais quase lhes vejo a alma. Se ao menos também eles pudessem ver a minha. Se pudessem ver o dia em que tentei libertar-me de tudo isto e ameaçaram matar as minhas filhas se o fizesse. Mas não. Tudo o que vêem é um porco de um alemão. Nada mais que isso.

Ontem a minha mais nova perguntou-me o que faço durante o dia. “Trabalho para que quando cresças possas viver num país melhor”, respondi. Mas nem eu acredito nisso. E proíbem-me sequer de pensar em tal coisa. Olho e vejo o sofrimento na cara de cada judeu.

Ali ao fundo, está a haver confusão. Vou ver o que se passa. Um casal de jovens namorados, talvez sejam casados há pouco tempo. Estão agarrados um ao outro e recusam-se a entrar em vagões diferentes. Vejo que ambos choram. Vejo os meus colegas a separá-los à força. Desejo não estar aqui. Desejo não ver tudo isto, desejo não participar. Separam-nos. Viro as costas e tento abstrair-me dos gritos, da dor. Sinto não só os olhos inundados, mas também a alma. Oiço os gritos, sinto o esforço dos meus colegas a agarrar cada um dos enamorados. Dói-me. Tenho vontade de gritar. Gritar bem alto que não é justo! Que são pessoas, não animais. Que nunca nos fizeram nada de mal. Ou fizeram?

Sinto a cabeça a latejar. Tento afastar-me, mas as minhas pernas não se movem. Ponho as mãos na cabeça e tento que a dor passe. Mas não passa. Sinto-me desesperado. Quero sair daqui!! Não quero ouvir mais gritos à minha volta. Passei o dia a ver mães a ser separadas de filhos, maridos de mulheres, irmãos de irmãs. Penso na minha mãe, na minha mulher, nos meus irmãos, nas minhas filhas. Oiço um tiro. Viro-me e receio a visão que terei. Eu sabia. Sabia que isto ia acontecer. “Se eles derem problemas, matem-nos”. Foi o que nos disseram. Olho e vejo o rapaz, que há pouco lutava pelo direito de dar à sua amada um último beijo de despedida, deitado no chão. O sangue que sai do seu peito mistura-se com as lágrimas da mulher. Agora, morto, pode receber o último beijo. Tento não pensar nas fantasias, nos planos, nos momentos felizes que terão passado juntos. Viro-me novamente e dirijo-me à mesa instalada perto dos vagões.

Sento-me e pergunto o nome da velhinha que está à minha frente. Deve ter uns 80 anos. Lembra-me a minha avó. Com um casaco castanho e uma estrela de David no braço, olha-me com olhos esperançados. “Miller”, responde-me. “Ruth Miller. Há alguma maneira de sair daqui?”. “Há”, respondo, “entre para o vagão e não se preocupe”. Olha para o vagão e, com uns olhos cansados, responde “Obrigada”... E dirige-se para o vagão.


Desculpem-me, esta foi uma tentativa minha de tentar pensar nas coisas vistas de uma outra perspectiva.
publicado por Nana às 20:15

06
Jun 06
Não posso dizer que esteja no meu estado normal. Não estou. De momento, encontro-me fragilizada. E escrevo. Escrevo como quem foge. Escrevo para ver se dói menos. Escrevo para pôr cá para fora o que nunca sairá. Acabei de perder uma amiga. Um Peugeot 206, um monumento e uma cabeça cheia de problemas. Foi o que bastou para terminar a vida de alguém que tanto carinho merecia. Uma pessoa que todos os dias tinha um sorriso para oferecer. Que todos os dias nos brindava com o seu sarcasmo, só seu. Não há ninguém assim. Hoje desapareceu uma pessoa muito querida. Não sei explicar o que sinto agora, as lágrimas inundam-me os olhos e a alma. Recebi a notícia há meia hora, e as saudades já apertam. Saudades não do contacto físico, porque nem morava em Portugal. Saudades das piadas. Da loucura pelo Alan Smith. Saudades de me chamar “you sausage”. Saudades de tudo. Descansa em paz, Brooklin. Vais ter sempre um cantinho no meu coração.

Brooke sweetie, I love you and I miss you, you'll always be in my memories and in my heart... Lots of love, i hope you will have in death the peace you couldn't have while alive... I've seen you cry and smile, you've seen me vry and smile... You were there when i needed... Thanks for making me laugh so many times... Lots of love...
publicado por Nana às 21:41

01
Jun 06
Desde o momento em que descobri que sofro de transtorno do pânico, logo soube que, durante toda a minha vida, sofreria repercussões disso mesmo. Logo soube que ao longo do meu caminho encontraria pessoas que simplesmente não entenderiam. Sei que algumas vezes vão tratar-me mal, sei que algumas vezes vão, simplesmente, preferir ignorar-me. Sei disso e estou plenamente consciente disso mesmo. No entanto, nunca pensei que começasse tão cedo. Aconteceu-me algo ontem que ainda hoje, de pensar nisso, vêm-me as lágrimas aos olhos.

Acontece que estou com uma amigdalite. Uma em muitas, para ser sincera, já perdi a conta às amigdalites que tive durante a minha vida. Ora com a amigdalite vem a febre, a fraqueza, a dor na garganta e no corpo, a falta de apetite. Assim sendo, fiquei terça-feira em casa, dei um saltinho à escola para fazer um teste de ITI que me levou pouco menos de 15 minutos a fazer e vim-me embora. Ora apesar de estar bastante em baixo por causa da amigdalite, na terça-feira à noite fiquei a estudar para um teste de biologia, que seria no dia seguinte (ontem, quarta-feira). Faltei todo dia à escola mas, na hora do teste, lá fui eu, cheia de febre e a tremer por todos os lados para o teste. Mal entrei, dei-me ao trabalho (não sei para quê, é nestas alturas que se vê que sou mais otária do que o que pensava) de avisar a professora de que não estava a sentir-me bem. Ora nem 10 minutos tinham passado, já eu estava não só com a febre, não só com a fraqueza, mas também com o belo do ataque de pânico. Então, a tremer, disse à professora: “Stora, eu não me estou a sentir bem, desculpe mas não consigo acabar o teste, tenho mesmo que sair”. Até aqui tudo bem. Ponham a mão na consciência e digam-me: se fossem professores e vissem uma aluna naquele estado, o que é que faziam? A professora olhou para mim e disse “Não, não vais!”. Ao que eu, estupidamente, em vez de sair dali para fora e deixá-la a falar sozinha, que era o que ela merecia, respondi “Mas stora, eu estou mesmo a sentir-me mal, eu não consigo estar aqui...”. Então aí foi o descalabro total. A mulher começa a gritar, se eu penso que ela trabalha para mim (para quem trabalha ela??), que eu não tenho nada que estar doente nesta altura (claro, para o ano marco a amigdalite para outra altura) e que se era para isto mais valia eu não ter ido (lá se foram os louros pela força de vontade)... A minha única reacção foi levantar-me e dizer “Faça o que quiser”. E vim-me embora. Não gritei. Não chorei em frente a ela. Não bati com a porta ao sair. Nada. Simplesmente saí. Fora da sala sim, chorei. Entrei num tal estado de nervos e com a ajuda da amigdalite fui parar ao hospital.

Agora pergunto. Como é que querem que eu ainda tenha vontade de voltar à escola? Para que é que vou, para ser tratada assim? Como é que eu vou sequer olhar para a cara desta mulher?

Ela tratou-me abaixo de cão. O que ela me fez não se faz a NINGUÉM. Eu senti-me a pior pessoa do mundo. A pessoa mais ridícula, a pessoa mais impotente do mundo. Não sei o que hei-de dizer mais- só de relembrar toda a história fico enervada. Por hoje fico-me por aqui. Só quero dizer uma coisa: eu tenho 17 anos. Dezassete! Eu devia estar a sair à noite com amigos. Devia estar a fazer coisas estúpidas, estou na idade delas! Mas não posso, porque tenho ataques de pânico. Constantes. Todos os dias. Ataques que me levam a entrar em taquicardia (coração a bater muito depressa), tremores, vontade de vomitar, pensar que vou morrer. TODOS OS DIAS. Alguém sabe o que é isto? Eu não sou assim por querer!! Eu NÃO quero ser assim. Mas sou!! E mais do que qualquer pessoa sou EU que sofro com isso. Tudo o que eu peço é RESPEITO. Podem não entender, podem até não acreditar mas, pelo menos, respeitem-me! Os professores foram feitos não só para dar o programa, mas também para APOIAR os alunos. Eu sinto muito apoio de alguns professores. No entanto, ontem senti-me a pessoa mais desprezível do mundo. Por favor, se não sabem ser professores, se não têm ética profissional e moral para tal, não o sejam!!
publicado por Nana às 11:13

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