Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

29
Jul 06
Pois é, hoje comemoram-se 18 aninhos desta vida!! A partir de hoje sou considerada “maior”, posso votar, posso tirar a cara de condução... Mas tem piada, eu sinto-me exactamente a mesma Susana de ontem. E ontem eu não podia nada disto. Parabéns a mim!

PS: Ao stor PM tenho a dizer: a partir de hoje, não pode recusar-me boleia! Vá-se habituando à ideia... eheh Beijinhos!
publicado por Nana às 10:57

25
Jul 06
Porque há coisas mais fáceis de escrever do que de dizer...

Mãe, desculpa. Sei que nem sempre sou boa filha. Na verdade, por vezes pergunto-me se realmente o serei em alguma circunstância. Sempre que tenho problemas desabafo contigo, enquanto que tu, quando desabafas comigo, recebes um frio “deves estar com a menopausa”. Desculpa.

Eu juro que tento ser boa filha. Mas neste momento estou tão absorvida pelos meus próprios problemas que acabo por quase esquecer que tu também tens os teus! Acabo por esquecer que, por detrás da mãe forte, há a pessoa normal, com as suas fraquezas normais a qualquer ser humano. Desculpa.

Mas a pressão sobre mim é demasiada. Saber que perdeste dois filhos antes de mim faz com que eu queira que sintas que valeu a pena ter passado pelo que passaste para me ter. Mas isso parece-me cada vez mais difícil, se não impossível! Parece que tudo o que eu faço é errado, tudo o que eu faço ou deixo de fazer é porque sou preguiçosa ou porque não me interesso. Por vezes é, admito. Mas muitas das vezes não é. Simplesmente é, para mim, difícil fazer certas coisas que para as outras pessoas não passam de banais. Eu QUERO ir lá à escola ver daqueles papéis para a universidade. Mas imaginas o que isso me vai custar? Entrar numa escola que não conheço, rodeada de pessoas que não conheço e ficar lá à espera, a fingir que nada daquilo me afecta? Não consigo!! Desculpa. Mas não consigo. A tua filha não é perfeita, e peço-te desculpas por isso. Tenho todas as condições para o ser, mas não sou. Desculpa. Eu queria, mãe. Juro que queria, e tu merecia-lo. Desculpa.

A única coisa que posso dizer é que tu e o meu pai são as pessoas que mais amo na vida. E isso, por mais ataques de pânico, por mais coisas que aconteçam na minha vida, não vai mudar nunca. Desculpa.
publicado por Nana às 20:07

18
Jul 06
Pois é, está calor... E com o calor vêm sempre as fériazinhas, certo? Errado! Este ano, com o calor vieram os exames.

E, é claro, com os exames vem sempre a alegria, a fascinação, o regozijo. Eu, por exemplo quando saio de casa para ir fazer um exame nunca digo à minha mãe que vou fazer um exame. Basta dizer-lhe que vou para a folia, para a loucura, para o regabofe! Ela deduz logo que se trata dos exames.

Então haverá coisa melhor do que os exames? Só aquela sensação no estômago logo de manhã, é mesmo do melhor. E depois chegar à escola e ver a felicidade estampada na cara de toda a gente. É mesmo reconfortante.

E, claro, antes de entrarmos para a sala, lá estamos nós, a rir, todos felizes. Especialmente eu! Bem, antes de entrar para a sala de exame rio-me mesmo como se não houvesse amanhã. Porque é mesmo divertido. E depois lá dentro, então aí é que começa mesmo a folia. Ficar 15 minutos à espera que nos entreguem os exames, excelente! Ai, e depois quando há perguntas que não sabemos fazer... Especialmente se penso que vou ter nega, então aí é que me dá um gozo tremendo.

E, para terminar em beleza, quando acabamos uns 40 minutos antes da hora e temos que ficar a olhar para os outros, sem fazer nada. É um pouquinho chato ver que os outros ainda se estão a divertir e para nós a loucura já acabou, mas pronto, também não podemos ser egoístas!

E pronto. Aqui têm a verdade. Os exames são, realmente, uma experiência magnificamente divertida, que devia ser repetida todos os anos! Ai, o que é que eu estou a dizer? Todos os anos?? Todos os dias, queria eu dizer! Poças, que nós, os aluno, também merecemos um pouquinho mais de diversão, não??


PS: Todo o conteúdo deste texto é ficção; qualquer semelhança neste texto com a realidade, é mera coincidência.
publicado por Nana às 16:00

10
Jul 06
Hoje estou num daqueles dias em que a apatia me enche por completo e não sei sequer o que fazer quando me levanto. Não que não tenha nada para fazer; antes pelo contrário. Simplesmente não me apetece.

Apetece-me pegar em mim e, de alguma forma, encher os olhos com mar. Enchê-lo com o azul, que se funde com o azul de fundo e fundir ambos os azuis com a minha alma. E tudo através de um olhar. Um simples olhar.

Apetece-me soprar e que, com esse sopro, se vão todas as nuvens do céu e do meu pensamento. Abrir o coração e deixar entrar tudo o que de bom encontro no mundo que existe em mim. Deixar que o canto dos pássaros me entre pelos ouvidos e, através de algum tipo original de osmose, se infiltre no meu espírito e o pinte com as cores do arco íris.

Apetece-me devorar sabedoria e, de alguma forma, manter-me igual. Diferente, mas igual. É uma ambiguidade, bem o sei. Ou mudo ou não mudo. Mas, ao escrever este texto, que tanto ou tão pouco sentido faz, mudo e, ao mesmo tempo, sinto-me igual. E isso é, na verdade, bom e mau. Mas quem disse que uma vida sem ambiguidades vale a pena?

E agora vou devorar o meu livro de matemática deixando, assim, as ambiguidades para depois.

Boa semana a todos.
publicado por Nana às 18:41

03
Jul 06
É com pena que me deparo, através dos meios de comunicação, com a falta de “bom perder” das pessoas. Refiro-me, claro, aos ingleses. Tenho lido coisas realmente chocantes na Internet, incluindo insultos pessoais não à equipa, mas aos portugueses e ao país em si. É triste, especialmente vindo de um país, tanto quanto pensava, civilizado.

No entanto, é cada vez maior o orgulho que ponho na frase “Sou portuguesa”. Porque gosto de o ser. Porque, apesar dos muitos defeitos, somos um país que merece o orgulho de cada um de nós. A situação económica e política pode não ser a melhor. Mas ao falar de Portugal, não é necessário lembrar isso. É sim, necessário, lembrar a história. As conquistas. O povo que, durante o seu tempo, chegou a dominar este mundo.

Há que lembrar o povo português, o de hoje. O povo que trabalha mas que, num dia quente de Verão, não dispensa um bom dia de praia e, ao almoço, uns bons caracóis. Ou, para quem não gosta, uma cervejinha acompanhada, é claro, pelo belo do tremoço.

Há que lembrar que, apesar de todas as discórdias, conseguimos ser um povo unido. Conseguimos ser um só. Conseguimos juntar a tradição com a modernidade e fazer disso uma cultura. Uma cultura só nossa. Da qual nos orgulhamos.

Há que lembrar os abraços, beijos, saltos e risos, que são jogados ao ar e apanhados por quem quiser quando, ainda que por vezes de olhos fechados, vibramos com os jogos da nossa selecção. Olhos fechados mas, no entanto, o coração aberto. Porque é assim mesmo, o coração lusitano.

E nesta onda de patriotismo digo: podemos até perder o próximo jogo, contra a França. Claro que fico triste, mas há algo que nunca esquecerei: o orgulho de ser portuguesa. As lágrimas que teimam em querer sair sempre que oiço o hino nacional. O orgulho que me enche o peito quando estou fora e vejo a bandeira do meu país. Porque foi aqui que nasci e me criei. Foi aqui que me tornei no que sou, seja isso bom ou mau. Foi aqui que aprendi que o fado não é assim tão mau de se ouvir, foi aqui que aprendi que não há nada melhor que um bom prato de carne de porco à alentejana.

Seria cliché dizer “Sou portuguesa, e gosto”, uma vez que tal frase consta num qualquer anúncio publicitário. E talvez seja por isso mesmo que o digo, com o peito cheio de orgulho:

Sou portuguesa, e gosto!
publicado por Nana às 01:32

02
Jul 06
Pois é, meus amigos... A vida dá, realmente, muitas voltas. Por vezes, fá-lo quando menos esperamos. Por vezes, são voltas tão minúsculas, que nem nós próprias as percebemos. Outras vezes, são voltas do tamanho do mundo. Da Via Láctea. Do universo. A bem dizer, voltas grandes.

E foi isso mesmo que aconteceu. Com certeza, quem lê o meu blog assiduamente (poucos, mas bons!! Eheh) reparou e notou a minha preocupação pela Brooke. Todos leram e, possivelmente acharam, tal como eu achei, que a máquina havia sido desligada no último domingo, dia 25. Também eu o pensei. Pela uma hora da tarde, hora marcada para tal acto, confesso que estava muito em baixo. Muito mesmo. Há ideias às quais nós, simplesmente, não conseguimos habituar-nos. E foi isso mesmo que a safou.

Quem decidiu que a máquina seria desligada foi a mãe da Brooklyn, a Lynne. Decidiu-o por achar que a sua filha não devia sofrer mais, e eu sei o quanto esta decisão lhe custou. Toda a família concordou. Não devia sofrer mais, a miúda. No meio de tudo isto, apenas duas pessoas não concordavam: eu, que me encontro noutro país, e o namorado, o Ryan. No entanto, o familiar mais próximo era a Lynne, e foi essa a decisão que a senhora tomou.

No entanto, aconteceu algo nesse dia que contado, até é difícil acreditar. No entanto, é verídico. A mãe da Brooka já andava, desde há alguns dias para cá, a demonstrar alguns sinais óbvios de cansaço e stress. Por volta das 12:40, vinte minutos antes de desligarem a máquina, a senhora teve um colapso no hospital e teve que ser internada. A partir do momento em que se encontra internada, deixa de ter poder de decisão, pelo que era necessário encontrar outra pessoa, que se tornaria o seu “familiar mais próximo”, e que teria que autorizar o desligar da máquina. A irmã mais nova era muito nova para tal. A irmã mais velha está grávida de sete meses, não pode ser sujeita a tamanho stress. O pai está hospitalizado, com problemas cardíacos. Conclusão: o familiar mais próximo passou a ser o Ryan, o namorado.

Como imaginam, ele fez prevalecer a sua opinião e não deixou que fossem desligadas as máquinas. Nesse mesmo dia, Ryan levou a Brooklyn para os EUA. Era perigoso, haviam 50% de hipóteses da Brooke morrer durante o vôo. Mas o Ryan sabia que tinha que tentar tudo ao seu alcance. Foram alturas de angustia, devo confessar. Todos achavam que ele estava a ser egoísta, que só estava a prolongar a dor da família... Houve mesmo quem dissesse que só estava a fazê-lo para se escapar aos exames da universidade. Disseram tudo e mais alguma coisa sobre o rapaz mas ele, felizmente, não esmoreceu.

No entanto, e apesar de toda a sua convicção, de todas as vezes que falava com o Ryan, ele confessava-me que lhe havia sido dito que as hipóteses da Brooke acordar eram de 0,25%. Havia 99,75% de ela não sobreviver. Mas quem conhece a Brooke, sabe que ela gosta de contrariar. Só pelo prazer de provar que está certa e que todos os outros estão errados. E foi o que aconteceu. A nossa menina acordou!!

Hoje está ainda nos EUA, ao que parece teve uma grande perda de memória. Só se lembra da mãe e do Ryan. Esqueceu todo o resto. Algumas coisas e pessoas é pena ela ter esquecido. Outras coisas, especialmente a sua infância, talvez até tenha sido melhor este esquecimento. Esta miúda passou por coisas que não se desejam a ninguém. Estão ainda a ser feitos testes. Ela ainda não fala, mas através do “se quiseres dizer que sim pisca os olhos uma vez, se quiseres dizer que não, pisca duas vezes” tem demonstrado que entende tudo o que se lhe diz. Em relação à mãe e ao Ryan, ela lembra-se vagamente, sabe que são figuras importantes, mas não se lembra especificamente de quem são. No entanto, o sorriso que esboça sempre que vê o Ryan diz tudo.

Hoje, todos os que falavam mal do Ryan, adoram-no. Falam da sua persistência, da sua força, da sua coragem. Mas isso é agora. Porque na altura em que era preciso, receio ter sido a única a apoiá-lo. E fico feliz por tê-lo feito.

E é assim que se vê... As voltas e voltas que esta vida dá... Curioso, não?
publicado por Nana às 11:44

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