Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

22
Set 06
Acordo e olho para mim e para o que me rodeia. Sei o que vou fazer hoje, ou talvez seja melhor dizer o que “não vou fazer”. E o facto de saber que não o vou fazer é quase tão desconcertante quanto o próprio acto de não o fazer.

Hoje foi o último dia para as matrículas na Universidade e não o fiz. Não fiz, pronto, neste preciso momento pouco ou nada há a fazer. Se fiz bem? Não faço a mais pequena ideia. Se fiz mal? Ignoro.

Apenas sei que o fiz e agora não vale a pena olhar para trás. Desculpem. Apenas sei que não o fiz e agora não vale a pena voltar atrás. E com este certeza de não ter a certeza se o meu procedimento está correcto, vou viver o dia a dia e aproveitar este ano. Para tudo e para nada. Trabalhar, tirar a carta. Ou talvez só trabalhar. Talvez ganhe dinheiro e faça uma viagem sozinha. Era giro. Mas muito... falta-me a palavra! Incomum. Sim, incomum é uma boa palavra. Era definitivamente algo incomum para o meu feitio. E talvez por isso mesmo o faça. Ou não.

Digo que sim e que não. Assim como assim, mais vale dizer que sim e que não do que dizer "talvez" ou "quem sabe". Se bem que, neste momento, os meus neurónios passam mais “talvez” e “quem sabe” do que sim ou não. Se sei porquê? Talvez, quem sabe...
publicado por Nana às 23:19

16
Set 06
Bom, como vocês sabem (ou não), as colocações do Ensino Superior saíram mais cedo do que o previsto. Saíram hoje, às 8 da manhã. Eu podia agora dissertar sobre o quão é injusto eu não ter entrado para fisioterapia (entrei para terapia da fala), sobre o quão me sinto frustrada relativamente a isso mesmo. Mas não. Vou escrever sobre algo mais... Importante.

Quando, ontem por volta das 23:30, soubemos que as colocações sairiam mais cedo, neste caso hoje de manhã, decidimos que estaríamos juntas nesse momento. Da minha turma, apenas 5 pessoas se candidataram ao Ensino Superior, uma das quais só se vai candidatar na 2ª fase. Uma das que se candidataram na 1ª fase decidiu que preferia vê-lo sozinha. Assim sendo, ficámos 3: eu, a Vanessa e a Filipa. Combinámos ir dormir a casa de uma delas, a Filipa, e às 8 da manhã logo víamos os resultados. Como a Vanessa não podia ir lá dormir, por volta das 6 da manhã fomos buscá-la a casa.

Com algumas sandes, leite com chocolate, iogurtes e água, fomos para um dos últimos sítios onde eu normalmente iria àquela hora, ainda escuro: à praia.

O sol ainda estava por nascer. No céu, a lua e as estrelas davam o ar da sua graça, visão esta que terminava com o surgir do mar. Sentámo-nos na areia (gelada, por sinal) e, enquanto comíamos, ríamos, cantávamos e falávamos, assistimos a um nascer do sol lindíssimo. Entretanto, ainda o sol não tinha nascido por completo, decidimos ir dar um mergulho. No entanto, o frio que se fazia sentir àquela hora e a falta de toalhas e biquinis persuadiram-nos a mudar de ideias e deixar o mergulho para outro dia.

Não digo que não tenha ficado em baixo com a minha colocação, antes pelo contrário. Mas hoje dei-me conta (mais uma vez) que há coisas mais importantes. Depois de ter chorado, dormido (meia hora) e maldito a minha sorte, saí com a Sandra, a Filipa e a Vanessa e tudo me pareceu menos mau. Arrisco até dizer que tudo me pareceu melhor. Porque mais uma vez constatei que, por muitas voltas que a minha vida dê, por mais que uns entrem e outros não, por mais que existam dias bons e outros menos bons... Sei que o valor da amizade não se perde. Como diria a vedeta, José Castelo Branco, “Jamais, Salomé!”.

E é por isso que, neste momento, não choro por não ter entrado em fisioterapia nem tão pouco considero perda de tempo estes últimos 3 anos. Porque, apesar de tudo, sei que ganhei o que pouca gente tem: amigos. E nem é daqueles que nos sorriem quando tudo corre bem mas fogem à mais pequena indicação de que algo pode correr mal. Não. São amigos daqueles que estão cá. Aqui. Agora. Sempre. Obrigada.

Obrigada também aos stores que se preocuparam em mandar mensagens e, em especial, ao stor Paulo Martins, pelo mail que me mandou. Em poucas palavras disse-me mais do que muita outra gente que o devia ter feito e não o fez. Obrigada!
publicado por Nana às 21:48

14
Set 06
Gahhhh. Estou que nem posso. Esta espera está a deixar-me desesperada!! Porque é que eles não dizem de uma vez quem entra e quem não entra na Universidade? E se eu não entrar? Ou ainda pior, e se eu entrar e não gostar daquilo? Com é que serão as pessoas de lá? E se eu tiver um ataque de pânico durante as aulas? E se eu nem sequer conseguir ir às aulas?? E se afinal eu devia ter ido para letras?

Ultimamente, comer e dormir são mesmo uma piada. Cada vez mais o nervosismo toma conta de mim. Estou, ao mesmo tempo, desejosa e temerosa pelo dia 18. Só de pensar nisso dá-me vontade de chorar. E vomitar. E cortar os pulsos. Esperem. Cortar os pulsos não. Mas o resto sim. Porque é que eu não posso ter uns 6 anos? Assim o meu único problema era saber se as fadinhas do amor vão fazer com que a Floribella e o Frederico fiquem juntos. Mas não! Tinha que ter 18! Tinha que ter acabado o 12º ano! Tinha que me inscrever para a Universidade! Um emprego! Um emprego é que eu devia arranjar. Afinal de contas, eu sempre quis trabalhar na caixas do Jumbo! E agora até tenho o 12º concluído e tudo. É isso. Vou pedir emprego no Jumbo. Não quero ir para a Universidade! Estou assustada...
publicado por Nana às 14:39

04
Set 06
Pois é... Após umas merecidas férias, voltei ao blog. Tenho a dizer que, felizmente, passei a todos os exames e agora estou naquela situação de espera pelas colocações no Ensino Superior. É já dia 18! É um pouco estranho. Daqui a pouco tempo posso estar a começar um curso de fisioterapia, enfermagem, terapia da fala, psicologia ou reabilitação psicomotora. Foram estas as minhas escolhas. Bom, também posso passar um ano fora de tudo isto, se não entrar, mas não me apetece pensar nisso agora.

Apetece-me sim, em jeitos de “volta após férias”, contar-vos um diálogo interessante que tive com o meu primo, de 5 anos. Este meu primo tem demonstrado, desde há algum tempo para cá, um medo espantoso (ou talvez mais uma curiosidade) pela morte. Talvez todos os miúdos passem por isto, não sei. Mas talvez por isso, a minha prima, irmã do miúdo, resolveu falar-lhe de Jesus, do “Céu” e da reencarnação. Então a conversa passou-se mais ou menos assim:

António: Olha, sabes, nós quando morremos, não morremos! Vamos para o céu e continuamos vivos.
Eu: Ah sim? Quem te disse isso?
A: A mana. Vamos para o céu. Como o Jesus.
E: Como o Jesus... E quem é o Jesus, sabes?
A: Jesus é o nosso companheiro! (disse-o com uma convicção tal que realmente teve graça)
E: Hm... O nosso companheiro... Está bem... (por esta altura resolvi entrar na onda) E Jesus foi o nosso salvador, não foi?
A: Sim, foi ele que matou os dinossauros da Terra!
E: Ah... Pois... Então e ele depois foi para o Céu, é?
A: Sim, foi. E nós também vamos! E depois voltamos!
E: Pois, chama-se a isso a reencarnação... Mas sabes, quando voltas, já não és o António, és outro bebé...
A: Pois, e pode ser em Portugal ou noutro sítio qualquer!
E: Exacto... E sabes, como vais ser outro bebé já não te vais lembrar que antes foste o António.
A: Vou vou!
E: Não, então, vais ser outra pessoa, não te vais lembrar de nada.
A: Ai isso é que vou!
E: Ah vais? Como?
A: Duhhh, escrevo na mão!!!

O meu primo é um génio, não é?
publicado por Nana às 21:01

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