Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

23
Nov 06
Já há um bom tempinho que por cá não passo... A verdade é que pouco ou nada de interessante tenho a contar. Agora percebo como é chato não fazer nada. Tenho a sensação de que, desde que me neguei a matricular-me na Universidade, a minha vida estagnou. Toda a gente tem novidades, toda a gente tem algo a fazer, menos eu. Nunca dormi tanto na minha vida (e disto não posso queixar-me, todos os que me conhecem sabem que dormir é um dos meus passatempos preferidos).
Estou desejosa que me contactem do Intermarché para ir para lá trabalhar, visto que estou a sentir-me um pouco “chula” por estar sem fazer nada e ainda assim a viver à custa dos meus pais.

Uma novidade: no último fim-de-semana nasceu o meu 3º sobrinho. É lindo, muito cabeludo e chama-se Rodrigo. Era para ter nascido hoje (o que era giro porque coincidiria com o aniversário do meu irmão) mas, ao que parece, foi curioso de mais para esperar por tanto tempo. Parabéns à mamã e ao papá e, já agora, parabéns a mim, que tenho os três sobrinhos mais lindos do mundo.

Queria escrever-vos mais mas, para ser sincera, não estou in the mood. Talvez amanhã. Ou mais tarde.

Beijinhos a todos os que ainda perdem o seu tempo a passear pelo meu semi-abandonado blog.
publicado por Nana às 20:27

08
Nov 06
Tenho que confessar que, por vezes, a minha avó irrita-me. Sei que não faz de propósito (pelo menos a maioria das vezes), mas ainda assim, há coisas que conseguem ultrapassar o meu nível de cordialidade.

Ainda assim, tenho um carinho muito especial por ela. É uma mulher forte, que desde miúda foi sujeita a situações tais que eu própria estou certa que não aguentaria. No entanto, hoje ainda está aqui, forte e tão saudável quanto o possível (73 anos já não é brinquedo).

Hoje ela veio para nossa casa para nos mostrar, a mim e à minha mãe, uma gravação que o meu avô terá feito, há uns 12 anos atrás. Trata-se de um gravador de som, daqueles antigos, em que se usavam as cassetes pequeninas. Após alguns minutos de música (constatei que o meu avô gostava da Cher e do Nelson Ned), começam então as falas. Era uma conversa, sem muito de interessante, entre a minha avó, a sua mãe (minha bisavó, também conhecida como “avó velhinha”) e o meu avô. Dos três, só a minha avó está viva.

E ali estava a minha avó. Cruzou os braços sobre a mesa, aconchegou a cabeça sobre os braços e ficou a olhar para o vazio e a escutar as vozes do passado. A voz da sua mãe, já falecida há 6 anos. A voz do seu marido, falecido há pouco menos (ou seria há pouco mais?). A sua própria voz, mais lúcida, mais viva. Mais nova.

E a observá-la ali, tão impávida e serena, a recordar os momentos do passado, fiquei com um nó na garanta. Não só porque sinto a falta do meu avô e da minha avó velhinha (e do seu irmão, o tio Manel, que faleceu cerca de 3 meses depois dela), mas também pela minha avó.

Porque deve ser triste saber que, das pessoas que ali estavam a falar tão bem umas com as outras, só ela ainda cá está. Porque todos os dias lhe devem vir à cabeça as recordações de dias, tempos, palavras e acções que ficaram lá atrás. E por mais que ela as chame, não voltam.

Os dias em que o meu avô a ia espreitar enquanto ela lavava no tanque de Ferreira do Alentejo (ninguém me tira da cabeça que ela, desde esse dia, passou a lavar roupa com muito mais frequência). O dia em que o meu avô lhe “roubou” um beijo (na cara) e a minha avó ficou doente, um beijo sem estarem casados, onde é que já se tinha visto. Os dias em que vivia com o seu tio Manel, que foi mais seu pai do que o próprio. Das traquinices dos meus tios e, especialmente, da minha mãe, que era a mais terrorista dos três.

Tudo isto e muito mais são momentos que não voltam. Que, no livro da sua vida, ficaram em páginas, lá para trás. Agora, na página em que está, resta-lhe tentar fazer tudo para agradar a filhos e netos. Mas os olhos sonhadores que vi naquela cara, hoje, de cabeça encostada aos braços sobre a mesa, são os olhos de quem já muito viveu e que, se lhe dessem a oportunidade, não se importaria de voltar algum tempo atrás.

Mais que não fosse, para dar aquele último beijo ao “seu” António.
publicado por Nana às 20:44

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