Era uma vez uma menina de 16 anos, que resolveu criar um blog para desabafar... E que agora, aos 21, continua a escrever. De teen a adulta; de Portugal à Holanda - A saga!

02
Jul 06
Pois é, meus amigos... A vida dá, realmente, muitas voltas. Por vezes, fá-lo quando menos esperamos. Por vezes, são voltas tão minúsculas, que nem nós próprias as percebemos. Outras vezes, são voltas do tamanho do mundo. Da Via Láctea. Do universo. A bem dizer, voltas grandes.

E foi isso mesmo que aconteceu. Com certeza, quem lê o meu blog assiduamente (poucos, mas bons!! Eheh) reparou e notou a minha preocupação pela Brooke. Todos leram e, possivelmente acharam, tal como eu achei, que a máquina havia sido desligada no último domingo, dia 25. Também eu o pensei. Pela uma hora da tarde, hora marcada para tal acto, confesso que estava muito em baixo. Muito mesmo. Há ideias às quais nós, simplesmente, não conseguimos habituar-nos. E foi isso mesmo que a safou.

Quem decidiu que a máquina seria desligada foi a mãe da Brooklyn, a Lynne. Decidiu-o por achar que a sua filha não devia sofrer mais, e eu sei o quanto esta decisão lhe custou. Toda a família concordou. Não devia sofrer mais, a miúda. No meio de tudo isto, apenas duas pessoas não concordavam: eu, que me encontro noutro país, e o namorado, o Ryan. No entanto, o familiar mais próximo era a Lynne, e foi essa a decisão que a senhora tomou.

No entanto, aconteceu algo nesse dia que contado, até é difícil acreditar. No entanto, é verídico. A mãe da Brooka já andava, desde há alguns dias para cá, a demonstrar alguns sinais óbvios de cansaço e stress. Por volta das 12:40, vinte minutos antes de desligarem a máquina, a senhora teve um colapso no hospital e teve que ser internada. A partir do momento em que se encontra internada, deixa de ter poder de decisão, pelo que era necessário encontrar outra pessoa, que se tornaria o seu “familiar mais próximo”, e que teria que autorizar o desligar da máquina. A irmã mais nova era muito nova para tal. A irmã mais velha está grávida de sete meses, não pode ser sujeita a tamanho stress. O pai está hospitalizado, com problemas cardíacos. Conclusão: o familiar mais próximo passou a ser o Ryan, o namorado.

Como imaginam, ele fez prevalecer a sua opinião e não deixou que fossem desligadas as máquinas. Nesse mesmo dia, Ryan levou a Brooklyn para os EUA. Era perigoso, haviam 50% de hipóteses da Brooke morrer durante o vôo. Mas o Ryan sabia que tinha que tentar tudo ao seu alcance. Foram alturas de angustia, devo confessar. Todos achavam que ele estava a ser egoísta, que só estava a prolongar a dor da família... Houve mesmo quem dissesse que só estava a fazê-lo para se escapar aos exames da universidade. Disseram tudo e mais alguma coisa sobre o rapaz mas ele, felizmente, não esmoreceu.

No entanto, e apesar de toda a sua convicção, de todas as vezes que falava com o Ryan, ele confessava-me que lhe havia sido dito que as hipóteses da Brooke acordar eram de 0,25%. Havia 99,75% de ela não sobreviver. Mas quem conhece a Brooke, sabe que ela gosta de contrariar. Só pelo prazer de provar que está certa e que todos os outros estão errados. E foi o que aconteceu. A nossa menina acordou!!

Hoje está ainda nos EUA, ao que parece teve uma grande perda de memória. Só se lembra da mãe e do Ryan. Esqueceu todo o resto. Algumas coisas e pessoas é pena ela ter esquecido. Outras coisas, especialmente a sua infância, talvez até tenha sido melhor este esquecimento. Esta miúda passou por coisas que não se desejam a ninguém. Estão ainda a ser feitos testes. Ela ainda não fala, mas através do “se quiseres dizer que sim pisca os olhos uma vez, se quiseres dizer que não, pisca duas vezes” tem demonstrado que entende tudo o que se lhe diz. Em relação à mãe e ao Ryan, ela lembra-se vagamente, sabe que são figuras importantes, mas não se lembra especificamente de quem são. No entanto, o sorriso que esboça sempre que vê o Ryan diz tudo.

Hoje, todos os que falavam mal do Ryan, adoram-no. Falam da sua persistência, da sua força, da sua coragem. Mas isso é agora. Porque na altura em que era preciso, receio ter sido a única a apoiá-lo. E fico feliz por tê-lo feito.

E é assim que se vê... As voltas e voltas que esta vida dá... Curioso, não?
publicado por Nana às 11:44

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